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Cultura | Edição #377 - 17/10/2013

O talentoso explorador de perfis alheios

Artista maringaense Sérgio Augusto une fotografia, tecnologia e pintura para expressar a habilidade que tem com as telas

Andreia Melero
Aluna de Jornalismo

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O artista Sergio Augusto em auto retrato (Foto: Arquivo pessoal)

O artista Sergio Augusto em autorretrato (Foto: Arquivo pessoal)

Olhares, detalhes, traços e emoções. Cores que misturam-se formando imagens e gravuras surrealistas que até parecem intencionais, porém, aos olhos atentos, o que percebe-se é o despretensioso e a coincidência na formação dessas imagens. Junto ao lúdico do colorido das tintas, o laptop sempre de prontidão não pode faltar. Assim é a arte de Sérgio Augusto, 20, artista plástico e estudante de Artes Visuais na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Cada fotografia no perfil dos amigos do jovem artista vai além de lembranças de conhecidos e desconhecidos que se encontram na rede. Desde abril deste ano, é do Facebook que ele consegue inspiração para retratar em tinta, a expressão das próprias obras.

Sérgio Augusto usa pinceladas grossas e assimilares para criar as pinturas. Ele já fez cerca de 40 retratos, todos inspirados em fotografias postadas pelos usuários da rede social.

Eu olho a imagem, desligo o computador e recrio as faces que me atraíram, é uma junção híbrida de vários contextos

Essa vertente da arte é algo excepcional, que vai além do simples movimento dos instrumentos usados. É necessária, além da prática e técnica, a sensibilidade do artista. Tanto na pintura quanto na fotografia – um misto que se encaixa perfeitamente na arte de Sérgio Augusto – a sensação, a inspiração e, principalmente, o olhar atento e profundo dos artistas são determinantes na execução das obras.

Segundo a professora universitária Daniela Jacomel, que ministra a disciplina de fotografia no Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), a fotografia é uma das expressões que mais depende do olhar e da sensibilidade do que do profissionalismo e tecnologia que as câmeras oferecem. “Hoje, com um simples clique de uma máquina que esteja no automático, qualquer um faz imagens, porém, no meu tempo de estudante universitária, tudo era muito mais difícil. A falta de tecnologia dificultava todo desenvolver, mas era por meio desse desafio que transpirávamos inspiração. Eu mesma tinha que rebobinar os filmes das analógicas, revelar as fotos tiradas e só ver o resultado depois da revelação. Não tinha essa moleza de ver a foto no exato momento do clique. O olhar e a sensibilidade não só de enxergar e sim ver era o que fazia a grande diferença”, conta a professora.

Formada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jacomel diz que além de ser uma prática gostosa e relaxante, o amor à fotografia artística desenvolveu-se ao ponto de ser uma das profissões mais rentáveis financeiramente no meio artístico. Porém, se não há todo o envolvimento, que chega até a ser espiritual, por parte do artista, de nada valem aparelhos caros e modernos.

E enquanto esse misto de sentidos eterniza nomes como Sebastião Salgado, serve de inspiração e põe à tona o dom artístico de jovens talentosos, a plateia inebriada com a arte, aplaude, suspira e agradece aos deuses das artes.

Tecnologia e tinta unindo-se para completar obras artísticas (Foto: Arquivo Pessoal)

Tecnologia e tinta unindo-se para completar obras artísticas (Foto: Arquivo pessoal)

 

Fotografia pode ser um trabalho feliz
Pessoas infelizes no emprego mudam de estratégia e preferem trabalhar com o hobby que as façam felizes
 GIOVANNI FROEMING
Aluno de Jornalismo

Yasmin consegue se sustentar tendo o hobbie como profissão (Foto:Arquivo Pessoal)

Yasmin consegue se sustentar tendo o hobby como profissão
(Foto: Arquivo pessoal)

Todo trabalhador que se preze deve cumprir obrigações: chegar no horário ao trabalho, receber ordens e até mesmo cumprir funções que não deseja ou não gosta de fazer. Uma pesquisa realizada em maio deste ano pelo Instituto Gallup (empresa de pesquisa e opinião dos Estados Unidos), relata que 72% das pessoas não gostam do próprio trabalho. Porém, existem pessoas que decidiram “jogar tudo para o alto” e se dedicar a uma atividade prazerosa que as façam se sentir bem, como a fotografia.

Foi o que fez Yasmin Noris, 23 anos, fotógrafa, que tinha a fotografia apenas como hobby e hoje a tem como profissão. “Trabalhava a semana toda pensando no sábado que eu iria fotografar. Meu hobbie virou profissão e hoje consigo me sustentar.”

Yasmin revela que começou a tirar fotos aos 18 anos, quando a mãe dela comprou uma câmera semiprofissional e ela começou a tirar fotos na igreja. “Tinha um grupo na igreja voltado para mídias digitais. Comecei a fotografar e divulgar as fotos nas redes sociais e isso gerou muitas visualizações. Foi quando me chamaram para ser responsável pela parte de fotografia desse grupo de mídias”, completa.

Ela diz não saber se é exatamente uma vantagem financeira trabalhar com o que gosta, mas revela que é menos frustrada.

Começo a tratar fotos e quando vejo já são quatro da manhã e ainda estou ali, nem parece que estou trabalhando

Em relação ao mercado de trabalho ela diz ser difícil como qualquer outro, com muita competição. “Depois da acessibilidade de câmeras digitais e até mesmo celulares, a procura por serviço especializado diminuiu. É normal você ir fotografar um casamento e ver que todos estão com suas câmeras também.” Mas ela não reclama da acessibilidade. “Até porque se não fosse por isso, eu não estaria aqui hoje”, ressalva.

A fotógrafa diz que para trabalhar com fotografia é necessário fazer um investimento alto, e que, por mais que as câmeras estejam mais acessíveis, os equipamentos de qualidade profissional são “extremamente” caros.

Yasmin revela que o único fator negativo é que com o fácil acesso às câmeras, muitos acham que são realmente fotógrafos. “Não estudam e não buscam conhecimento. Compram uma câmera e já saem fazendo trabalhos por valores muito baixos, o que acaba desvalorizando o mercado.”

Porém, existem aqueles que, além de trabalhar com fotografia, trabalham em outra profissão. É o caso de Felipe de Almeida Mendonça, 22 anos, que além de fotógrafo, também é técnico de laboratório de fotografia.

Ao contrário de Yasmin, Mendonça nunca teve a fotografia como hobbie. “Trabalhava em uma empresa na diagramação de álbuns de casamento. A partir do meu próprio trabalho surgiu o interesse pela fotografia, já que acompanhava alguns eventos.”

Para ele, existem vantagens e desvantagens em trabalhar com o que se gosta. “A maior vantagem é que você se realiza com seu trabalho e sempre procura melhorar, não só pelo que o mercado exige, mas porque você quer ser melhor no que faz.” Em relação às desvantagens ele concorda com Yasmin e revela que a maior dificuldade é o alto custo.

Sobre a profissão, Mendonça diz que o melhor a se fazer é “não se prender ao equipamento, mesmo sendo importantes, mas sim, se prender ao conhecimento, porque se você sabe o que fazer, independente da câmera que está usando, seus cliente vão saber o que você vai estar fazendo e terão mais confiança”.

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Viciada em livros, música e séries. Tempo nublado, café e carinho sempre se encaixam.

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