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Crítica de Mídia | Edição #375 - 03/10/2013

Nas redes sociais não há liberdade de opinião

Polêmicas envolvendo publicações de jornalistas levanta a discussão sobre a liberdade de expressão fora das redações

Mônica Monteiro
Aluna de Jornalismo

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“Me perdoem se for preconceito, mas essas medicas [sic] cubanas tem [sic] uma cara de empregada domestica [sic]“. Essas são as palavras da jornalista Micheline Borges, do Rio Grande do Norte, postada na rede social Facebook. A postagem gerou inúmeros protestos e não foi por causa dos erros de português, e sim pela opinião preconceituosa que a jornalista expôs publicamente. A polêmica levantou a discussão que põe em atrito a relação dos profissionais da informação, a liberdade de expressão e a utilização das redes sociais com perfis pessoais, e principalmente, qual o limite entre essas relações.

A Organização não – governamental Artigo 19, por meio da pesquisa Jornalismo & Mídias Sociais realizada em 2011, constatou que 87% dos entrevistados usam as redes sociais para fins profissionais. Mais da metade, 56% utiliza para formular pautas, 63% para chegar informações e 68% para se relacionar com as fontes.

87% dos entrevistados usam as redes sociais para fins profissionais

Outro estudo realizado pela ONG, em parceria com a Unesco Brasil e Portal Impressa, aponta que 95% dos 150 jornalistas que responderam aos questionários, utilizam a rede social Twitter.

Com tantos profissionais acessando as redes sociais, é de se esperar que a vontade de opinar e fazer comentários fale mais alto. O caso da jornalista Micheline Borges é a comprovação disso. Mas outros casos, também já foram destaque. Um exemplo é o do então editor da National Geographic Brasil, Felipe Milanez, que, em 11 de maio de 2010 foi demitido por postar comentários criticando uma reportagem publicada pela revista Veja.  O caso da editora sênior da rede CNN no Oriente Médio, Octavia Nasr, foi ainda pior, pois teve repercussão  internacional. Em julho de 2010, ela manifestou respeito a um líder xiita do Hezbolah, morto pouco tempo antes. A rede internacional julgou a declaração gravíssima e afastou imediatamente a jornalista, que estava havia 20 anos na empresa.

O jornalista deve ter liberdade para expor tudo o que pensa em um perfil pessoal?

Os três casos são diferentes em vários aspectos, mas têm a mesma problemática: a liberdade de opinião nas redes sociais.  E alguns questionamentos são levantados. É correto punir o que se publica em perfis particulares? O jornalista deve ter liberdade para expor tudo o que pensa em um perfil pessoal? Até que ponto as empresas e o público podem impedir um profissional da informação de expor os próprios pensamentos?

O artigo científico escrito em 2011 por alunos da Confederação Ibero Americana de Associações Científicas e acadêmicas da Comunicação mostra que existem muitas normas e códigos de conduta nas redações que restringem o que é publicado nos perfis particulares dos jornalistas. A justificativa é que mesmo fora das redações esses profissionais continuam reconhecidos como membros integrantes de determinado grupo.

Essas restrições são pertinentes, porém ferem um direito não só dos jornalistas, mas de qualquer cidadão brasileiro, constituído nos Direitos Humanos: a liberdade de opinião e expressão. Sendo assim, fica assegurado o direito aos jornalistas de expor as ideias ao público. Mas deve ser lembrado que essas ideias e pensamentos têm impacto profundo nos receptores e que esse impacto também respinga de forma brutal nas empresas desses profissionais e na posição deles como formadores de opinião.

O levantamento Mídias Sociais e Jornalismo da ONG de 2011 aponta que 90% dos jornalistas participantes já deixaram de comentar algo nas redes sociais, por pensar que teria impacto na vida profissional.   A pesquisa revela ainda que a autocensura acaba sendo um resultado frequente e deve ser cada vez mais. Afinal, os profissionais da notícia estudam para formar opiniões por meio dos órgãos da informação. É importante porém enfatizar que  não é necessário fugir das polêmicas nas redes sociais, mas repudiar o preconceito e manter as declarações em graus aceitáveis de intelectualidade, como não fez a jornalista Micheline Borges.

redes socias


Para os jornalistas todo cuidado é pouco nas redes sociais (Montagem: Mônica Monteiro)

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Aprendiz de jornalista, viciada em café, livros e o mundo virtual. Estudo para ser jornalista e vivo para ser escritora.

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