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Literatura | Edição #375 - 03/10/2013

Fale o que quiser falar, diga o que quiser dizer

Era para ser uma segunda-feira como qualquer outra, não fossem as lições doadas por quem já viveu muitas

Priscila Stadler
Aluna de Jornalismo

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Não sei por que tantas pessoas reclama da segunda-feira. Para mim, é um dia como qualquer outro. Pelo menos é o que deveria constar no roteiro, mas nem sempre as coisas acontecem como esperamos. E aquele 8 de julho não foi tão comum assim. Lembro-me que cheguei para trabalhar como de costume e lá estava sobre minha mesa de edição, um cartão de memória com todas as imagens e entrevistas do turno do dia anterior. E junto à pauta uma surpresa.

Foto: Rebeka Stadler

Foto: Rebeka Stadler

_Hei Pri, entrevistei a sua avó, – disse o repórter, todo animado.

_Ah é? Que legal… Onde?

_Dançando, lá no clube de dança da terceira idade.

Se soubesse da reposta antes mesmo de perguntas, não o teria feito. Sabe aquelas cenas de filme, onde tudo fica mudo e o ator vira para a câmera como o sentimento de indignação? Foi isso mesmo o que aconteceu. Naquele momento minha cabeça deu uma pausa, então parei, pensei e respondi calmamente:

_Mas que diabos minha avó estava fazendo num clube de dança?

_ Ah, ela estava lá, e ainda me perguntou se te conhecia.

Como se não bastasse. A dona Fiuza, como é conhecida, além de chacoalhar o esqueleto, literalmente, perguntou ao repórter, parceiro de trabalho, sobre mim?

_Não brinca. O que ela falou?

_Disse que a neta dela trabalhava na TV da “Cisumar”

Ah, se soubéssemos que em um piscar de olhos a música vai parar e a dança acabará, para sempre

Mesmo sem acreditar no que tinha acabado de ouvir, caro leitor, peguei o cartão onde estavam registradas as melhores cenas por vir da minha vida, e fiz questão de assistir. Ao ver minha avó dançando comportadamente, com um senhor de no mínimo 30 anos mais velho, percebi que o melhor da vida não começa aos 20, 40 ou 60 anos. O melhor da vida começa quando nós nos permitimos participar de momentos como este.Ver aquela pequena senhora dançando e se divertindo, me fez parar para pensar. Para ela, talvez, dias assim não durem para sempre. Talvez esse seja o nosso maior erro, pensarmos como se o amanhã estivesse muito, mas muito longe. Ah, se soubéssemos que em um piscar de olhos a música vai parar e a dança acabará, para sempre.

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