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Esporte | Edição #379 - 31/10/2013

“Abri mão do meu sonho para realizar o dela”

Guilherme Soares de Santana é o guia da atleta paralímpica Terezinha Guilhermina nas vitórias e nos desafios

Mônica Monteiro
Aluna de Jornalismo

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Guilherme Soares de Santana, 30, nasceu na cidade São Paulo. Encontrou no pai José Aldo Santana, o apoio e o exemplo para o esporte. Com 11 anos mudou-se com a família para o Paraná e entrou no futebol. Tinha mais habilidade com as mãos do que com os pés, então virou goleiro. Mas não era tão bom. Como a irmã gêmea Gabriela Santana jogava basquete, resolveu arriscar. Resultado: acabou no atletismo.

Santana é formado em Educação Física pela Unicesumar – Centro Universitário Cesumar. Nesse período, começou a treinar na Universidade Estadual de Maringá  (UEM) sob orientação da professora Maria da Conceição Silva. Participou dos Jogos Universitários do Paraná, representando a UEM e levou quatro medalhas. Também representando a universidade, competiu nas Olimpíadas Universitárias Brasileiras, e obteve boa colocação. A partir daí não parou mais. Guiou dois atletas, até que encontrou a paratleta Terezinha Guilhermina. Agora, faz questão de esclarecer: “sou único e exclusivo dela”. Entre a vida literalmente corrida como guia e outros compromissos, Guilherme Santana conversou com a equipe do Jornal Matéria Prima na Unicesumar.

Como você conheceu a atleta Terezinha Guilhermina?
Eu e a Terezinha morávamos aqui em Maringá em 2009. Durante um evento surgiu a oportunidade de conversarmos. O então guia dela, que inclusive era meu amigo, tinha passado em um concurso público e escolheu assumir a vaga. Como a Terezinha queria outro guia daqui da cidade, ela me fez a oferta de competir com ela nos 400 m lá em São Paulo. Aí eu pensei na viagem e na cidade, onde nasci, e percebi que era a oportunidade de continuar me exercitando e ainda passear e rever amigos.

Você sonha  ter  carreira própria no atletismo?
Não. Eu abri mão de correr sozinho para ajudar a Terezinha. E penso também que se eu tivesse esse objetivo deveria ter começado mais cedo. Mas a partir do momento que me dediquei à Terezinha, abri mão do meu sonho para realizar o dela e automaticamente fui me engrandecendo. Sinto que estou ganhando junto, porque somos parceiros. Sem um atleta guia, ela não correria e isso me motiva bastante. Não penso em correr sozinho, só algumas provas e, às vezes, só para não perder o ritmo. Agora, competições grandes, prefiro não participar.

Sinto que estou ganhando junto, porque somos parceiros. Sem um atleta guia, ela não correria e isso me motiva bastante

Durante a corrida dos 400 m nas Paralimpíadas de 2012 em Londres você caiu durante a prova e ao, perceber isso, a Terezinha desistiu. Como isso aconteceu?
Antes da prova,  tinha dito à Terezinha que estava sentindo dor na perna, mas a encorajei porque acreditava que conseguiria completar a prova e garantir o ouro. Em todas as provas sempre digo, “a gente vai conseguir, vamos fazer o melhor”. E em Londres foi assim. Mesmo sentindo dores, disse a ela que iríamos conseguir. E durante a prova, faltando 30 metros finais, achei melhor soltar dela e me jogar, porque senti que estava tendo uma contratura [paralisação dos músculos] e a qualquer momento ia dar um estiramento [distensão muscular]. Não sei se fiz o melhor, mas naquela hora achei que tinha feito. No outro dia, a gente quebrou o recorde mundial. Se eu não tivesse parado naquele momento, não teria conseguido. Por mais que eu tenha recebido críticas, foi o certo a se fazer.

O que você sentiu naquele momento em que caiu?
Na hora parecia que não estava acontecendo, parecia que eu tinha passado anos ali, naquele chão. Passou um filme na cabeça. Pareceu muito tempo, e eu só pensava: “o que vou falar”. Foi difícil. Me senti mal, mas também não poderia ficar na situação de coitadinho, porque no outro dia tinha outra prova. Tomei relaxante muscular, injeção, entrei na banheira de água fria, fiz compressa e outros inúmeros procedimentos para estar bem no outro dia e consegui.

Qual o peso da responsabilidade de um guia?
Os guias são os olhos do atleta, mas também sem o atleta deficiente visual não existiria guia. É o complemento para que o atleta alcance o objetivo. No meu caso, na competição eu sou os 10% e a Terezinha os 90% restantes. Ela diz que é 50% de cada, mas vejo que ela tem um peso gigante e estou ali para contribuir, para que esse peso continue sempre pesado. Procuro fazer sempre o meu melhor e estar sempre disposto a fazer o que ela precisa.

Como é sua relação com a Terezinha fora da pista?
Sempre quando viajamos, costumo descrever para ela os lugares onde estamos, as pessoas e tudo o que vejo. Ela gosta de saber tudo o que acontece em volta dela. Então pode ser em um museu, shopping ou em qualquer outro lugar, descrevo tudo. Pode não ser a melhor descrição, mas ela gosta da maneira como faço. Sou um guia dentro e fora da pista.

Santana e atleta Terezinha no Comitê Paralímpico Brasileiro (Foto: Arquivo pessoal - Guilherme Santana)

Santana e atleta Terezinha no Comitê Paralímpico Brasileiro (Foto: Arquivo pessoal – Guilherme Santana)

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Aprendiz de jornalista, viciada em café, livros e o mundo virtual. Estudo para ser jornalista e vivo para ser escritora.

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