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Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Crítica de Mídia | Edição #373 - 12/09/2013

Descartável e banal, a gente vê por aqui

Matérias desgastadas, repetidas e sacais perduram as edições do Jornal Matéria Prima e causam desinteresse ao público

Andreia Melero
Aluna de Jornalismo

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Comércio, segurança, asfalto, praças, construções, casas humildes, casas afortunadas, condomínios, bairro antigo, bairro novo, lojas. Essas são algumas das “figurinhas carimbadas” que marcam presença em todas edições deste ano do Jornal Matéria Prima. E esses assuntos frequentes – em todas as edições – estão andando lado a lado com a falta de interesse de ir atrás das histórias que realmente podem marcar as edições, o próprio jornal e trazerem experiências únicas aos jovens repórteres. Está sendo tão difícil encontrar uma boa história ou a irrelevância cultural e intencional que paira sobre esses jovens tem tomado conta do que deveria ser uma das melhores experiências deste ano, para eles, no jornalismo?

Todos esses temas são banais, cansativos de ler, ouvir e aguentar. Os leitores têm todas as noções possíveis acerca dessas realidades. Eles vivem nelas diariamente, além de as verem nos veículos de comunicação locais. Os argumentos que justificam a rotina criada nas edições são vastos. Não gostar de ler, não ter tempo disponível, não perder o capítulo da novela, não gostar de política, economia, esporte e afins. O que só aumenta a monotonia do que é publicado.

O repórter passa a ser apenas mais um reprodutor de informação quando na verdade deveria estar fazendo história, sendo parte da história, transbordando-se com a história

Com essas reportagens, ficam escancaradas as vertentes que virão após a conclusão do curso para alguns: jornalismo descartável ou desemprego.

A busca pela boa história a ser contada deveria fugir do trivial e arriscar no novo, no profundo, nos relatos que não vão apenas informar, mas que vão dar gostinho de “quero mais” e serem lembrados por muito tempo. A impressão é que está apenas sendo cumprida a rotina de ter de fazer pauta e assim, consequentemente, os temas são escolhidos “nas coxas” por falta de tato, sensibilidade e dedicação dos alunos. Há falta de pesquisa, de ouvir, de andar, de procurar, de deixar-se levar e de sentir toda riqueza de vida e de relatos que os bairros e as pessoas que lá moram têm a oferecer. Onde está a chama do saber que cada jornalista tem dentro de si? Mas se simplesmente ler um texto medíocre, sobre pessoas ou assuntos fúteis, de frente para uma câmera, para ficar famoso, é o objetivo de estar nesse curso, parem o trem. É melhor descer e salvar o que ainda resta de massa encefálica.

Quando a suscetibilidade, que intrinsecamente já está em cada repórter, é deixada de lado, o fatigante e óbvio são exalados em cada palavra que é escrita. O repórter passa a ser apenas mais um reprodutor de informação quando na verdade deveria estar fazendo história, sendo parte da história, transbordando-se com a história.

Se não há vontade de fugir desse maçante, as reportagens acabam tornando-se amansadas, sem nenhuma relevância ou acréscimo, tanto para quem está lendo quanto para quem está fazendo, participando.

No dia 18 de Agosto deste ano, a jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum, em sua coluna na Revista Época, “É nesse movimento de decifração que nos tornamos capazes de compreender que não há vidas comuns, apenas olhos domesticados – e esse olhar domesticado não pode ser o nosso. É no olhar que se lança para além das camadas enganadoras de uma pretensa banalidade e dos muros impostos pelos discursos fechados que se faz a resistência cotidiana do repórter”, afirmou a jornalista. Bravo, bravíssimo!

Ser repórter é um modo de estar no mundo, de olhar para o mundo e decifrá-lo, aprendê-lo e tê-lo. É mais do que cumprir uma pauta apenas por ganhar salário ou nota, é mais do que ficar alguns minutos nas ruas e, por timidez ou preceito religioso, enclausurar-se na própria bolha existencial, limitando-se ao que gosta de fazer, assistir, ouvir e ao bom e velho esmorecimento, que aliás, está estampado em parte dos textos do JMP.

Trabalho, família, religião, correria do dia a dia não são desculpas, ser tão abastado ao ponto de nunca ter pisado no terminal rodoviário está longe de ser qualquer justificativa e, mesmo a falta de intimidade com a magnética língua portuguesa passa a quilômetros de distância de ser desculpa. Tudo isso deveria ser usado como munição e não usados como pretextos de explicação para as maçantes reportagens que estão sendo apresentadas. E se alguma dessas “não desculpas” ainda pesam e definem qualquer um que está trilhando o caminho do jornalismo, é hora de aproveitar a última parada do trem. Sempre há outras vagas na Agência do Trabalhador Municipal.

Edição nova com cara de velha vem sendo uma constante no JMP

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Viciada em livros, música e séries. Tempo nublado, café e carinho sempre se encaixam.

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