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Literatura | Edição #369 - 15/08/2013

De bar em bar, a eterna busca continua

Quando alguns amigos resolvem se reunir para compartilhar os próprios conflitos, as dúvidas aumentam e as máscaras caem

Andreia Melero
Aluna de Jornalismo

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Sábado à noite. Sabe aqueles dias em que as pessoas não deveriam sair de casa? Para alguns mortais, essa frase nunca fará sentido. Um grupo de amigos que mais se viam como irmãos, reuniu-se, como sempre, após uma semana cheia de mais baixos do que altos, para extravasar, falar besteira e conspirar contra o universo.

Música da boa no ar, abraços brilhantes e beijos vibrantes faziam cada parte daquele mundo ser eterna, única e espontânea.

Desce mais uma. Tinindo e trincando, entre um gole de cerveja e risadas de canto, o calor da conversa foi aumentando. A gentil dama, que tanto defendia a liberdade, igualdade e a ferrenha zombaria que fazia a respeito do amor, estava lá, descabelada, chorosa feito criança e desaforada feito político em época de eleição. Tudo por uma paixão não assumida, não aceita, não planejada. Nem pelo corpo e nem pela alma.

Mas não era essa mesma garota que tanto dizia que “nada atravessaria a parede do coração”? Pois bem, era a dita cuja em carne, osso, allstar e maquiagem. Será que essa é ela de verdade, ou seria mais uma das artimanhas entorpecentes do álcool? Como diria Chicó, “Não sei, só sei que foi assim”.

Mais uma dose, de “Jack” e de vida, por favor. Rindo da vida alheia também estava um certo rapaz, que fazia questão de deixar claro e bem representado a própria homossexualidade. Mas, enquanto o chororô da apaixonada não acabava, o guerreiro colorido achava absurda a cantoria de outros jovens que estavam no local, em outra mesa. “Tinha que ser hetero mesmo. Só faltam dizer que acreditam em Deus.”

No outro dia, quando novamente reuniram-se, o cheiro de ressaca e os olhares arrependidos estavam presentes em cada gesto, em cada rima

Em uma situação mundial de luta contra qualquer tipo de preconceito, lá estava ele, o ativista da grande causa fazendo acepção de pessoas simplesmente por não concordar com os gostos musicais e a fé delas. Ironia, estupidez ou embriaguês?

Nessa mesma mesa, onde esses raros loucos e santos vertiginosamente seguiam os próprios instintos, um certo barbudo, quieto por esperteza e todo sorriso por dom natural, apenas observava a conversa, rindo do calor das discussões, emocionando-se pela sinceridade das emoções e gravando o desfecho da reunião.

No outro dia, quando novamente reuniram-se, o cheiro de ressaca e os olhares arrependidos estavam presentes em cada gesto, em cada rima. Ao avaliar o desfecho da noite passada, vergonha, risadas descontroladas e semblantes assustados foram fixados em cada um dos amigos.

É clichê, mas é verdade, a bebida entra e a verdade sai. Verdade essa que escondemos da sociedade, para sermos mais fortes diante de tanta banalização de relacionamentos e sentimentos, para sermos mais iguais em lutas onde cobra-se o diferente, mas o diferente forçado acaba deixando todos iguais. As máscaras sociais que escolhemos a dedo todos os dias não nos deixa menos brasileiros, menos humanos ou menos lutadores. Elas já vêm lá dos grandes, daqueles que deveriam zelar pela moral e ética nacionais, mas que perde-se em corrupção. E nós, na pobre e coitada sociedade, essas máscaras são o escape de uma vida inteira de tentativa de sobrevivência. “Kerouaquizar” a realidade, é assim que a gente gosta, faz e se encontra.

Ninguém é sincero e autêntico o tempo todo. Ninguém realmente mostra o que realmente pensa o tempo todo. O que difere isso de ser bom ou ruim, é a intensidade e a usabilidade que fazemos dessa fraude pessoal que carregamos por aí, de bar em bar. A busca tem que continuar.

É clichê, mas é verdade, a bebida entra e a verdade sai (Foto: Andreia Melero)

É clichê, mas é verdade, a bebida entra e a verdade sai (Foto: Andreia Melero)

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Um comentário | Deixe seu comentário

Talita disse:

Como diz grande Jimmy “O último bar, quando fecha de manhã só me lembra que eu não tenho aonde ir…”

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Viciada em livros, música e séries. Tempo nublado, café e carinho sempre se encaixam.

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