Crítica de Mídia | Edição #366 - 04/07/2013

Só os curiosos sabem fazer jornalismo

Buscar aquilo que é mais interessante ao leitor deve ser uma constante entre os repórteres, por isso ir a fundo é essencial

Mariana Kateivas
Aluna de Jornalismo

Idosos são verdadeiros "tesouros", ricos de histórias (Foto: Mariana Kateivas)

No início da graduação de jornalismo os alunos aprendem as perguntas mais comuns realizadas durante a profissão: o que, quando, onde, como, por que e quem. As respostas são encontradas nas primeiras linhas de um texto jornalístico, denominado lead. Mas, além dos questionamentos comuns a todos o jornalista precisa ter curiosidade muito maior. Além de responder o lead, deve levar informações interessantes ao leitor e que proporcionem leitura não apenas agradável, mas enriquecedora. Está aí o problema. A falta desse “mais” tem empobrecido o texto de alguns repórteres do Jornal Matéria Prima.

As perguntas que aguçam algo novo devem estar na ponta da língua dos futuros jornalistas

“A primeira qualidade de um repórter poderia ser respondido que é a curiosidade.” É o que diz a professora Thaïs Mendonça Jorge no livro “Manual do Foca”. As perguntas que aguçam algo novo devem estar na ponta da língua dos futuros jornalistas que escrevem ao JMP. Quando as perguntas não aparecem, algo que poderia enriquecer a reportagem, como uma história, um apelido curioso, ou até mesmo uma novidade para o leitor, passam totalmente despercebidos.

Os deslizes sem os questionamentos dos aspirantes a jornalista podem ser observados em algumas reportagens

Os deslizes sem os questionamentos dos aspirantes a jornalista podem ser observados ao longo das várias edições do primeiro semestre do ano. Um exemplo é o da reportagem que conta a história do aposentado Carlos Hitner Filho e o amor incondicional dele pelo caminhão “Truqueta”.  O leitor que se entusiasma com a história e a lê até o fim fica sem saber por que o caminhão tem esse apelido. Outra que deixa interrogações é a do armazém geral da Zona 6. Pela falta de curiosidade do repórter o leitor vai ficar sem conhecer a fundo o antigo funcionário da extinta Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) Vicente Garcia da Silva, que já trabalhava ali havia quase três décadas. Esse sim, um verdadeiro tesouro ambulante de ricas histórias de época, que certamente tornariam única a reportagem.

A falta de malícia dos aprendizes como repórteres é um dos motivos para os quais perguntas, que seriam tão obvias a jornalistas mais experientes, não sejam sequer pensadas. Por isso, espera-se que, com o tempo, os estudantes entendam o quanto ser superficial nesta profissão pode lhes prejudicar.

Fica um alerta, como apresenta a jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, no livro “Jornalismo Diário”: “No geral, o bom jornalista deve ser curioso, interessado em notícias e rigoroso com a exatidão”. Por isso, ser inexperiente não pode se tornar uma desculpa para que os futuros repórteres deixem de perguntar nas próximas edições, pelo contrário, devem questionar ainda mais. Para ressaltar a importância da curiosidade, vale lembrar a frase do jornalista Fábio Luporini, repórter de cultura do Jornal de Londrina, em entrevista concedida no ano passado para estudantes do primeiro ano de jornalismo da Unicesumar: “jornalista sem curiosidade morre de fome”. É melhor aprender o quanto antes para garantir o pão de cada dia.


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
http://www.jornalmateriaprima.com.br

Endereço para o artigo:
http://www.jornalmateriaprima.com.br/2013/07/so-os-curiosos-sabem-fazer-jornalismo/

© 2017 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.