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Economia | Edição #366 - 04/07/2013

O sonho não tão fácil da dupla cidadania

As filas de espera para a tramitação dos pedidos de reconhecimento de uma segunda nacionalidade podem chegar a até 15 anos

GEREMIAS JUNIOR
Aluno de Jornalismo

Comentários
 

Os problemas e dificuldades dos brasileiros que estão buscando a dupla cidadania são inúmeros. Segundo o dono da agência “Bella Turismo”, o advogado Júlio Cesar Adamhsuk Bella Bella, 54, o tempo de espera solicitar dupla cidadania está em torno de oito anos no Brasil, tendo como base a terceira geração (bisavô). A agência, de Maringá providencia a documentação para quem deseja obter a dupla cidadania italiana, espanhola e portuguesa. O valor gasto em média no processo é de R$7 mil. No caso italiano, esse procedimento serve para requerer os documentos necessários no Brasil e na Itália, fazer a tradução dos papéis, ter a aprovação de todos junto ao consulado e deixar o processo pronto para o desembarque regularizado na Itália.

A crise europeia não tem estimulado maringaenses na busca pela dupla cidadania

Porém, todo esse sistema não é simples. A cidadania italiana, por exemplo, é “direito de sangue”, os antecedentes tem de ser italianos. A Itália não tem limites de gerações. Portugal também não, desde que os antecedentes estejam vivos. A Espanha, hoje, só contempla com a dupla cidadania para filho e filha de espanhol. Netos têm de morar um ano naquele país. Bisnetos têm de morar dois anos.

No entanto, a crise europeia não tem estimulado maringaenses na busca pela dupla cidadania. Hoje, há muitos brasileiros que voltaram. “Acredito que uns 70% que foram com intuito de trabalhar lá, mas acabaram voltando”, ressalta Bella. Antigamente as tarefas consideradas “braçais” eram ocupadas principalmente por estrangeiros.

Muitos almejavam melhorias de vida e conquista de bens no Brasil 

Atualmente, essas ocupações vêm sendo desenvolvidas por pessoas do próprio país. “Trabalhei nove anos na mesma cafeteria. Antes as espanholas não queriam trabalhar com isso, mas a crise chegou e perdi meu emprego para uma espanhola”. É o que diz Marta Vieira Sampaio, 39, desempregada, que chegou da Espanha há dois meses.

O número de brasileiros que retornou ao País praticamente duplicou na última década

Há alguns anos compensava se deslocar do Brasil para outro país. Com isso, ao voltarem, muitos almejavam melhorias de vida e conquista de bens no Brasil. Entretanto, esse comportamento mudou. De acordo com os índices divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os brasileiros que viviam no exterior e decidiram retornar ao país praticamente duplicou na última década, ao passar de 87.900 em 2000 a 174.597 em 2010. “Antes eu juntava dinheiro, depois de um tempo só ganhava o suficiente para me manter, por isso desisti e vim embora”, diz Marta.

A Bella Turismo providencia dupla cidadania para o exterior (Foto: Lilian Vespa)

A Bella Turismo providencia dupla cidadania para o exterior (Foto: Lilian Vespa)

Vantagens de ser cidadão globalizado

O documento da dupla cidadania possibilita que a pessoas tenham livre acesso aos países da União Europeia 

LILIAN VESPA
ALUNA DE JORNALISMO

Ter a nacionalidade de um país europeu e viver por lá, sem estar ilegal, já foi um desejo para os brasileiros. Mas o sonho é antigo. De acordo com o advogado Julio Cesar Adamhsuk Bella, 54, dono da Bella Turismo, a crise na Europa, em 2008, diminuiu a procura por esse processo. Atualmente, os pedidos, na empresa, para requerer a dupla cidadania, são: 50% para Itália, 40% para Espanha e 10% para Portugal.

Ter um passaporte europeu é sinônimo de abrir portas (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Ter um passaporte europeu é sinônimo de abrir portas (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Se muitos brasileiros estão retornando, há aqueles que não conseguem se readaptar no País e, mesmo em tempos de crise, retornam a Europa. Bella afirma que isso ocorre porque a pessoa não consegue mais assimilar a diferença na qualidade da saúde, educação e segurança. Quando retornam, escolhem países com melhores oportunidades.

Ele ressalta que países como Inglaterra, Alemanha e França acabam sendo os mais disputados pelos brasileiros, já que são os lugares onde a remuneração pelo trabalho está mais forte.

Em entrevista por meio de uma rede social, o estudante Lucas Henrique Melo da Conceição, 21, cidadão espanhol há três anos, diz que além de poder estudar em uma universidade fora do País, as vantagens de ter a dupla cidadania são muitas. “Dentro da União Europeia quem tem a nacionalidade de algum país membro não precisa viajar com passaporte nem obter visto. Tem algumas situações, como fazer transições bancárias, que são exclusivas para quem é cidadão do país”, completa. Por conta da dupla cidadania, ele também trocou o sobrenome. No Brasil, era conhecido como Lucas Henrique de Lima.

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

Datarooms.org disse:

Bom artigo, muito obrigado
Falando sobre internet e tecnologias nos dias de hoje, isso nos ajuda a viver mais confortavelmente. Como agora eu armazeno minha papelada através de datarooms virtuais. Eu sei que é segur

Obrigado por publicar este artigo impressionante.

Eu já sou um leitor de muito tempo, mas nunca fui obrigado a
deixar um comentário. Me increvi no seu blog e compartilhei
no meu Twitter. Mais uma vez obrigado por este excelente post!

alberto lopes bela disse:

moro em São Paulo e tirei cidadania espanhola com meu primo Julio Cesar. Foi rápido, se considerarmos a média usual. excelente trabalho. Abraços primo.

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Dentre muitas tarefas que desempenho todos os dias, a melhor delas é ser estudante de jornalismo. Gosto levar a vida com leviandade. Sou amante da boa música, de boas companhias. De quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso.

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