Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Política | Edição #367 - 11/07/2013

Despir a história e ocupar a memória

Em verde e amarelo, o "lado B" da história do Brasil é revisto nos livros, renovado nas ruas e reaprendido pelo povo

Andreia Melero
Aluna de Jornalismo

Comentários
 

Capa do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Foto: Reprodução)

“País rico é país sem pobreza”. Essa afirmação seria um pleonasmo, ironia, ou explícito deboche político? Em um país que esconde os pequenos grandes detalhes sobre a própria história, essa marca adotada pelo governo federal desde 2011, quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o poder, mais se parece com uma típica brincadeira sem graça, feita para ludibriar ainda mais à todos nós, guerreiros deste “Brasil varonil”. Tanto sabemos sobre a história do nosso país como a marca adotada pelo governo realmente faz algum sentido.

Atualmente temos no cenário nacional,  jovens que saem fervorosamente às ruas para protestar contra a desigualdade social, corrupção e censura, o que é muito importante para a formação moral dessa geração. Porém, grande parte desses jovens, que esbravejam ódio à toda essa situação, não conhecem a história do gigante que, orgulhosamente, afirmam ter acordado.

No livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de 2009, o jornalista e escritor Leandro Narloch, 35, defende por meio de pesquisas históricas, que muitos dos fatos da história nacional, aclamados por estudiosos da história do Brasil, são irreais ou distorcidos. Algumas das afirmações feitas no livro contam que Santos Dumont não foi o inventor do avião (pág.242), que Zumbi dos Palmares tinha escravos (pág.86), que os portugueses ensinaram os índios brasileiros a preservar as florestas (pág.54), que o Brasil nunca quis o Acre (pág.220) e nem mesmo Virgulino Ferreira, o Lampião, conhecido como “O Rei do Cangaço” conseguiu escapar de todo humor, veneno e história escarrados por Narloch.

Grande parte dos jovens não conhece a história do gigante que, orgulhosamente, afirmam ter acordado

Acabando com paradigmas sobre o descobrimento do Brasil, o autor  conta que os índios não eram simplesmente aqueles seres dóceis, inocentes, passíveis, incivilizados, que não tinham outra escolha a não ser se submeterem aos portugueses. Narloch “põe fogo no Pau-Brasil”, revelando que a colonização foi marcada por escolhas dos tupis, que muitos índios foram amigos de bebedeira dos brancos e até aliados de guerra.

O jornalista apresenta-nos um país que não é mostrado nas escolas, onde o misticismo e heroísmo nacionais, em alguns casos, não passam de oportunismo e formação utópica de personagens.

O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil não tem só a ver com essa polêmica, mas é diante dele que paramos, reparamos e refletimos sobre o senso crítico a respeito de nosso país, que deveríamos desenvolver diariamente, mas que não fazemos. Pior, aceitamos vendados, sem nenhum questionamento tudo o que o sistema educacional, a mídia e a cultura popular repassam. Sim senhor.

Os brasileiros do país sem pobreza deveriam ser mais criteriosos, desde os primeiros passos, com o que ouvem, leem e aprendem. Não que esteja tudo às avessas. Apenas é aconselhável conhecer todos lados da mesma história do que apegar-se à uma única versão de fatos que talvez nem tenham acontecido daquela forma, mas que tenham sido logrados.

Ao desenvolver a criticidade não aceitaremos qualquer imposição. Não será qualquer marca leviana que será estampada como ideologia nacional, nem qualquer frase “facebookeana” estará em cartazes contra a corrupção, e não compraremos qualquer “bá blá blá” batucado, passando-se por música, que é empurrado ouvidos adentro. Quem sabe assim, olhando para a realidade como ela é, aprenderemos a discernir “os livros na estante que nada dizem de importante, servem só para quem não sabe ler”, como dizia o saudoso maluco beleza Raul Seixas.

Não só iremos para a rua, mas teremos consciência histórica, política e cultural, para lutar nossas verdadeiras lutas.

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.067 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Viciada em livros, música e séries. Tempo nublado, café e carinho sempre se encaixam.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

julho 2013
S T Q Q S S D
« jun   ago »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

galeria de fotos

Chico Buarque George Carlin Mario Quintana

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.