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Literatura | Edição #363 - 13/06/2013

“Positivo”

Te perdoo pelas noites que nunca mais serão dormidas como antes, pelas fraldas sujas, pela vida completamente mudada

Isabella Cornicelli
Aluna de Jornalismo

Comentários
 

Arthur, então com 13,6 mm (Arquivo particular/Isabella Cornicelli)

É que desde que eu me conheço por gente, meus planos nunca deram certo. Imprevisível seria meu pseudônimo, caso o tivesse. Mas de todas as incertezas da vida, jamais imaginaria que você viesse assim.
Acontece que depois de ter passado o primeiro susto e ter engolido à força todas as letras dessa palavra “P-o-s-i-t-i-v-o”, acabei me acostumando com a ideia, e acredite: gostando dela. E eu até rio mentalmente quando me dizem: “Você deve estar assustada”, já que estão acertando em cheio. Estou assustadoramente feliz.
Vi você há alguns dias, tinha exatamente 13,6 mm. Mas que tamanho tem isso? Não tenho pretensão de querer decifrar em números o tamanho dos sentimentos que você me causa.
Por enquanto só quero que saiba que te perdoo por todos os enjoos que me fez ter, pelas noites de nervoso sem dormir, pelos remédios, ultrassom inesperado, por cansar-me de tudo e de nada, por me fazer parar com meu querido ansiolítico e estar acabando com a minha imparcialidade de jornalista (mamãe chorou na sessão da Câmara de Vereadores na semana passada e emocionar-se com políticos é o cúmulo da sensibilidade).

Mas ainda são dois meses, então, te desculpo também pelos inúmeros outros enjoos que vou ter, pelas dores da gravidez inteira – e depois dela também. Pelo resto da vida de noites nunca mais dormidas como antes, pelas fraldas sujas, pela vida completamente mudada. Perdoo-te por me fazer te amar demais ao ponto de já imaginar fazendo aniversário, dando os primeiros passos e, depois, correndo pela casa. Lambuzando-se com a papinha, fazendo arte, falando sem parar.
Só sei que tudo o que vem passando por este “coração-de-maria-mole” (no sentido mais mole da palavra) é infinitamente menor do que a certeza do amor que eu - já - sinto por você. É, definitivamente, a certeza que cura todas as incertezas que vieram, e que virão.

PS: Parece clichê, mas não queria que você tivesse o trauma de ter uma mãe jornalista que nunca escreveu um texto sobre a gravidez.

Nota do editor: Arthur, o bebê personagem da crônica acima, chega dentro de um mês. Os jornais deveriam noticiar mais a vida.

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

Nádia Viviane disse:

Oi Isa,lindo texto… Parabéns, desejo tudo de bom pra você e para o Arthur! Beeeijo

Elena disse:

A cada momento que paro em frente do computador, não resisto e me vejo novamente com seu texto na tela do pc, As sensações? Ah Isabella….. com os olhos cheios de lágrimas e o coração pulsando mais forte…. me pego relembrando todas as emoções vividas….também não é para menos, ter o Arthur abrindo essa nova fase de minha vida,( sou a vovó mais feliz do mundo!!!), é realmente inexplicáveis todas as sensações. Esse texto você ainda não havia compartilhado comigo, por isso mesmo a justificativa de inúmeras vezes ter a vontade de ler. À todos os jornalistas de plantão faço uma consideração, mesmo sabendo da imparcialidade que vocês devem ter, vez ou outra é preciso inundar de sentimentos humanos para o bem, porque o que se vê de reportagens de abortos, suicídios,abandonos, desonestidade…. Apresentar vez ou outra a sensibilidade do amor em vez do ódio, da aceitação em vez da rejeição, da renúncia em vez das glórias, da coragem em vez do medo, pode fazer dos leitores um pouco mais sensíveis a selva de pedra em que vivemos.
Parabéns filha pela coragem de aceitar e compreender que ser mãe é muito mais que gerar um filho, mas é acima de tudo pensar muito mais no outro do que em si mesma. Te amo e tenho muito orgulho de ser sua mãe!

Mônica Monteiro disse:

Olá Isabela, tudo bem? Sou estudante de jornalismo e participo da atual turma que “alimenta” o JMP. Maravilhoso. Repito, seu texto ficou maravilhoso. Não sou do tipo romântica, mas meus olhos se encheram de lágrimas quando li e fiz “ownt” quando acabei a leitura. Desejo muita força e sucesso na sua carreira profissional. E muita saúde e amor para o seu Arthur. Tenho certeza que assim como você já o ama, ele também já deve morrer de orgulho da mamãe jornalista. Beijos! E bom restinho de gravidez!

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Pergunto, indago e não tenho papas na língua. Antes, jornalista em formação por coincidência. Hoje, jornalista em formação por amor.

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