Crítica de Mídia | Edição #365 - 27/06/2013

Edição ensina como não se deve fazer jornalismo

Com erros desde a entrega das pautas até opiniões mal argumentadas, os repórteres do JPM deixaram a desejar

Victor Simião
Colaborador

Quem faz o jornalismo pode cometer erros. E todos os repórteres estão passivos a isso. Erra-se uma vez aqui, outra ali, e vai-se aprendendo. O problema é quando há uma “pane geral no sistema”, como os profissionais da área de informática costumam dizer. E a tal “pane” aconteceu na edição 363ª do JMP (Jornal Matéria Prima). Uma edição com textos fracos. Uma edição que mostra como não se deve fazer jornalismo.

Dos 12 repórteres responsáveis pela edição, apenas sete se preocuparam em reunir informações para a apuração

Foram vários os erros cometidos. A começar pelas pautas. Dos 12 repórteres responsáveis pela edição, apenas sete se preocuparam em reunir informações para a apuração o que, de acordo com a jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, no livro Jornalismo Diário (2009), “é o exercício mais importante – e talvez o mais difícil – que todo o aspirante a jornalista deve fazer”. Sem a orientação das pautas, não é necessário ser um gênio da matemática para perceber que a edição 363ª ficaria desfalcada de textos e, portanto, de informação.

Os futuros “focas” que entregaram as pautas e, posteriormente, as reportagens, infelizmente tiveram queda na qualidade  de produção. Quando os textos foram entregues à editora do JMP — reportagens e artigos de opinião –  mostraram-se insuficientes no quesito “relevância jornalística”.

para chegar a bons personagens, é preciso encontrar muitos e descartar a metade

A edição, em alguns casos, trouxe histórias, no mínimo, desinteressantes. Os personagens explorados no texto foram colocados apenas para “somar”, deixando  a impressão de que foram os primeiros que apareceram na mira dos repórteres, que se satisfizeram com tão pouco. No livro A arte de escrever bem (2012), as jornalistas Dad Squarisi e Arlete Salvador dizem que “para chegar a bons personagens, é preciso encontrar muitos e descartar a metade”. Com isso, obtém-se melhor aproveitamento na reportagem. O que, seguramente, não foi feito pelo JPM.

Os textos de opinião, voltados exposição, exploração e convencimento sobre determinados assuntos, trouxeram argumentos, mesmo que embasados cientificamente ou ditos por órgãos confiáveis, fracos e originados do senso comum. Oras, estariam os repórteres do JMP testando o senso crítico do leitor ou apenas se  mostrando incapacitados a realizar uma pesquisa mais ampla e profunda? Espera-se que nenhuma das opções acima.

O que se espera é saber se o problema da “pane” já tenha sido resolvido. E que, com isso, nas próximas edições do JPM, os repórteres tragam aquilo que é mais importante para um jornal: o bom jornalismo.

Foto: Victor Simião


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
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