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Literatura | Edição #365 - 27/06/2013

“Desfrute Deus como maçã verde, com água na boca”

O radialista Edson Bruno superou obstáculos encontrados no inicio da carreira e hoje colhe os frutos da dedicação

Amanda Zulai
Aluna de Jornalismo

Comentários
 

Na foto, Edson Bruno na Marcha para Jesus do ano passado (Foto: Arquivo/Rádio Todo Dia FM)

Edson Bruno Zilse nasceu em 23 de abril de 1966 em Trombudo Central, Santa Catarina.  Aos 13 anos, descobriu o que queria ser para o resto da vida. Apaixonado por rádio, ele não pensou duas vezes e seguiu o caminho da comunicação. Trabalha com jornalismo há 25 anos, no qual desenvolveu muitos projetos: escreveu um livro, “Desfrute Deus”, participou do filme “Não é Tarde para Recomeçar”, lançado pela Graça Filmes, trabalhou em várias emissoras nacionais e internacionais.

O primeiro emprego de Edson Bruno na área jornalística foi entre 1986/1987 na Rádio Globo catarinense, como locutor noticiarista. Formado em Teologia pelo Ibad (Instituto Bíblico das Assembléias de Deus) em Pindamonhangaba, São Paulo, também se dedicou ao curso de Comunicação Social (Broadcasting and Communication), na Universidade de Miami. Edson Bruno morou sete anos fora do Brasil e nesse tempo realizou inúmeras experiências que, segundo ele, foram grandiosas. Participou de transmissões marcantes que aconteceram na época, como o atentado do dia 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e do tsunami na Ásia.

Edson Bruno recebeu o Jornal Matéria Prima para contar a história de sua carreira profissional, as dificuldades enfrentadas e experiências impactantes que o jornalismo lhe proporcionou.

O senhor morou um tempo nos Estados Unidos. Por que foi para lá?
Iria para os Estados Unidos fazer a tradução de mil programas para o português, era um trabalho de cinco anos. Aceitei, fui morar em Hampton, próximo de Washington, e lá eu comecei a traduzir essa série de mil programas. Com esse programa, eu comecei a trabalhar em uma emissora de rádio internacional. Essa experiência nos Estados Unidos foi grandiosa porque lá eu consegui meu bacharelado em comunicação. Eu nunca tive vontade de ir para os Estados Unidos e ficar para sempre por lá. Minha vontade sempre foi ir como um preparo, para voltar e continuar a minha missão aqui.

Essa experiência nos Estados Unidos foi grandiosa porque lá eu consegui meu bacharelado em comunicação

As coberturas realizadas do dia 11 de setembro de 2001 marcaram todo o mundo. Teve algo que lhe chamou a atenção?
Quando a gente estava fazendo as transmissões, ficamos sete horas no ar, sem parar. A gente foi para a rua e ali onde nós estávamos a rua estava totalmente vazia, todo mundo se escondeu, tudo parado, foi um momento de reflexão muito forte do povo americano, uma coisa que me chamou bastante a atenção.

O senhor entrevistou algum sobrevivente?
Fiz a tradução de um funcionário de um banco filipino. Esse homem tinha chegado ao banco que ficava no World Trade Center, na torre número um. Quando ele chegou para trabalhar, estava colocando a secretária eletrônica para ouvir os recados e, naquele momento, olhou para fora e viu o avião da American Airlines vindo na direção de onde estava. Enfim, ele sobreviveu, teve uma pessoa que o ajudou e ele conseguiu descer pelas escadas. Tive oportunidade de fazer essa tradução completa, da experiência dele de sobrevivência. Esse aí foi um milagre incrível.

Como foi o aprendizado da língua inglesa?
Sempre me dediquei a estudar inglês, mas quando fui para os Estados Unidos não dominava a língua. Hampton não tem brasileiros, tive que aprender, isso foi muito importante para mim. Na época, fiquei um ano sem abrir um site em português. Um ano, porque foi um exercício que eu fiz. Fui me familiarizando com o inglês para que pudesse aprender e também me matriculei em uma escola. Tive esse cuidado porque precisava disso para desenvolver o trabalho que eu fui fazer.

Como surgiu a ideia de escrever o livro “Desfrute Deus”?
Estava no avião e peguei uma maça verde para comer. Quando cortei a maça, estava geladinha e saindo aquele aroma da maça verde. Naquela hora veio esse sentimento “vou fazer uma vinheta com esse convite ‘Desfrute Deus’, assim como vou desfrutar esta maça verde com água na boca”. Creio que gravei umas quinze vinhetas com esse convite: Desfrute Deus. As pessoas começaram a ligar para a rádio. Uma senhora, que estava com depressão profunda há muito tempo, ligou e disse: “quando ouvi essa vinheta, sentei na cama, e disse para mim: nunca mais vou ficar em depressão, vou fazer uma sopa e vou comer agora mesmo”. Aí pensei: “não pode só ficar em uma vinheta”, e escrevi o livro.

Qual foi a maior dificuldade que o senhor encontrou na carreira jornalística?
Diria que foi, infelizmente, dentro da minha própria comunidade. Quando eu tinha me formado no seminário, estava trabalhando em uma igreja, no departamento de comunicação. Recebi o convite para trabalhar na Rádio Globo catarinense e quando aceitei, fui muito criticado. “Agora o Edson Bruno já era, deixou todo esse negócio de igreja, fez seminário, fez Teologia para morrer, não vai mais vir para a igreja, acabou para ele.” Então sofri muito, muitas críticas. Só que eu permaneci firme porque sabia que isso, um dia, seria muito importante para mim. Então, foi essa dificuldade, ter tantas pessoas olhando e não acreditando, dizendo que eu me perderia, mas Deus me honrou e sai de lá vitorioso para fazer o que faço hoje.

Discussão e comentários »

2 comentários | Deixe seu comentário

Alecio Freitas disse:

Muito legal,como você disse ,as pessoas não conhecem ,mas Deus conhece nosso coração,Pastor Edson Bruno,vc é uma benção.

Érico Henrique disse:

Adorei a reportagem, vou adquirir este livro, parabéns a aluna.

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