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Educação | Edição #360 - 16/05/2013

O que antes era rebeldia agora é crime

Educadores que presenciam violência apostam na capacitação e preparação de professores para agir preventivamente

Bruna Silveira
Aluna de Jornalismo

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Ambientes de aprendizado dão lugar às formas da violência (Foto: Bruna Silveira)

Gestos agressivos ou preconceituosos no âmbito escolar são constantemente motivo para brigas e até mesmo tragédias. Quase 84% das escolas brasileiras são cenário  para esses casos. O índice se comprova no maior estudo já desenvolvido sobre o tema

Violência nas escolas é reflexo social
Aluno de 11 anos é mais um caso dentre muitos de crianças que reagem ao bullying com extrema violência
Gustavo Rosas
Aluno de Jornalismo
As brigas entre alunos nas escolas estão cada vez mais comuns. Pelas estatísticas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), as agressões aos docentes estão crescendo cerca de 20% por semestre. A violência aumenta a cada dia em nossa sociedade, geradora de uma série de consequências na vida de pessoas e familiares. Para a psicóloga Fabiana Colombari de Oliveira, 33, um dos principais motivos para a violência entre os estudantes são as práticas sociais e parentais inadequadas, ou seja, os pais “não sabem” educar os filhos de forma adequada, sendo muito permissíveis ou agressivos, o que é aprendido pelos filhos. “Os jovens são sempre o reflexo da sociedade em que vivem e há coisas que são muito difíceis de a escola mudar”, diz.
Um desses casos aconteceu com J.V., 11, filho da auxiliar de limpeza Andreia Lucia Luchetti Lopes, 34. O garoto, que estuda na Escola Estadual Neide Bertasso Beraldo, na região central de Paiçandu [distante 11 km de Maringá], se envolveu em brigas com colegas e professores. A mãe diz que ele é um menino nervoso em casa, fato que pode gerar transtornos no ambiente escolar. “Os colegas zombam dele, fazendo com que tenha reações violentas, batendo e dando rasteiras”, comenta. Ela diz que filho – pelo temperamento forte – chega até a desrespeitar os próprios professores. “Quando está nervoso, ele não copia o que a professora passa e ainda fala mal e bate neles.”
A escola pode, assim como a família, ser uma das peças importantes desse complexo quebra-cabeça que é o caráter dos alunos e deve aproveitar essa excelente oportunidade para fazer a diferença. Seria, se a família soubesse tudo o que acontece com os filhos no âmbito escolar. “O que o meu filho me conta sobre o que acontece na escola é completamente diferente do que a diretora diz. Fica difícil acreditar na escola”, revela Andreia Lopes.
A escola tem papel fundamental na educação dos alunos, mas a verdadeira base é a família. Sim, educar é tarefa muito difícil, já que os pais podem não ser especialistas em pedagogia nem terem nascidos preparados para educar os filhos. Mas a família constrói o posicionamento essencial para a socialização das crianças, por meio da transmissão de valores, normas, comportamentos etc. Segundo a psicóloga Fabiana Colombari de Oliveira, a ausência de regras, a falta de supervisão e de controles razoáveis da conduta dos filhos fora do colégio – do que fazem e com quem andam – é tarefa complicada. “A falta de comunicação e a ocorrência de brigas na família podem levar os filhos a adquirirem condutas agressivas.”

na América Latina. Realizada em 2002 pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com 14 capitais brasileiras, a pesquisa apresentada no livro “Violência nas escolas”, mostra que o problema se agrava pelo fato de existir uma tendência à naturalização da agressividade no âmbito escolar.

Segundo Jaime Ademir Roder, 56, especialista em didática e atual diretor do Colégio Estadual Abraham Lincoln de Kaloré  (distante 72,4 km de Maringá) a violência tem ocorrido frequentemente e de inúmeras formas. “Nos deparamos com os mais diversos casos. Temos aqueles que uma simples conversa resolve, mas também já chegamos a casos extremos, onde o Conselho Tutelar chega a intervir e há realização de boletim de ocorrência.”

Prejudicando o desempenho dos alunos, a sociabilidade e o próprio trabalho que se espera dos professores, que acabam por desistir da profissão depois de serem agredidos, a sociedade pede por medidas que mudem esse quadro. “Receita pronta nós não temos, buscamos optar primeiramente pelo diálogo e orientação. Aqui no colégio também realizamos reuniões pedagógicas entre os professores para expor o problema e encontrar possíveis soluções”, conta Ana Maria Domingues de Figueiredo, 47, professora do Colégio Abraham Lincoln. Ela também comenta que não há capacitação durante a formação do professor para saber como agir em situações de violência, e que talvez essa seria uma possível alternativa de prevenção. “Ter a percepção e saber lidar com esses casos desde o início impede que tomem proporções maiores”, completa.

Ter a percepção e saber lidar com esses casos desde o início impede que tomem proporções maiores

Com a gravidade e proporção que as estatísticas vêm tomando, em maio do ano passado o Ministério da Educação assinou parceria com o Conselho Federal Pedagógico para implantação de um projeto que tem como objetivo a elaboração de programas de prevenção, capacitação de professores e estudo da violência escolar em geral. O projeto deve ganhar fôlego este ano, segundo MEC.

A pedagoga Adelaide de Fátima Stencel, 49, também diz acreditar que essa preparação dos educadores será significativa. “É possível detectar no aluno indícios que possam causar problemas futuros. O comportamento agressivo geralmente está vinculado a outros fatores, como convivência familiar, traumas do passado, rejeição ou até mesmo distúrbios.”

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