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Saúde | Edição #358 - 25/04/2013

“Usamos a tática da bondade, carinho, amor”

Renir Ramalho de Oliveira, 78, lidera entidade que há 38 anos se dedica a ajudar dependentes químicos da região

Bruna Silveira
Aluna de Jornalismo

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Renir Ramalho de Oliveira (dir) e a equipe do Cendrogasvai (Foto: Arquivo pessoal)

Há 38 anos eram apenas idealizações. Com vontade de ajudar ao próximo, surgiu a iniciativa de fundação. A trajetória do Cendrogasvai (Associação Centro de Prevenção, Tratamento e Recuperação contra as Drogas do Vale do Ivaí) registra muitas histórias de recuperação e trabalho, vividas e contadas por Renir Ramalho de Oliveira, 78. Farmacêutico, ele é fundador e atual vice-presidente da entidade, e garante que todos os que estão à frente do trabalho são capacitados e têm o objetivo de possibilitar o tratamento e recuperar dependentes químicos.

O grupo realiza semanalmente reuniões acompanhadas por assistente social e psicólogo, atendendo as cidades da região do Vale do Ivaí. Remir Oliveira conversou com o Jornal Matéria Prima sobre o trabalho do Cendrogasvai.

O que levou o senhor a tomar a iniciativa de fundar um centro para tratamento de dependentes químicos?
Convivíamos com as pessoas que consumiam álcool e tabaco oriundos de Minas Gerais, São Paulo e outros Estados. Via neles sofrimento atroz, o que despertou em mim vontade de ajudá-los. Foi só depois que surgiu a iniciativa [do centro]. Estava vindo de Jandaia do Sul [distante 44 km de Maringá], certa tarde, sozinho, e tive uma inspiração que me dizia: “escreva para o presidente Fernando Henrique Cardoso”. Escrevi para o [então] presidente e em 24 dias chegou o telegrama que a nossa audiência estava marcada. Fomos todos numa comitiva a Brasília e tivemos uma reunião com dois médicos peritos nesse assunto. Um deles nos ajudou e nos deu as diretrizes.

O centro conta com a colaboração de algum órgão público ou se mantém apenas com a ajuda dos próprios membros?
Os membros contribuem. Nós também temos uma diretoria que é composta por seis pessoas, o conselho fiscal e o conselho consultivo, de modo que cada um paga uma taxinha para manter. Porém, recebemos de órgãos públicos, do município de Kaloré, ganhamos 25 litrosde combustível semanalmente da cidade de Borrazópolis, recebemos R$ 350 e um senador contribui com mais R$ 250.

Vocês que estão à frente do centro fazem algum tipo de capacitação para atender os dependentes químicos?
Sim, já fizemos cursos em Londrina, participávamos de capacitações em Maringá e Curitiba e também tínhamos muitos livros que nos auxiliavam a trabalhar dentro do contexto, para produzir frutos. Usamos a tática da bondade, carinho, amor. Convidamos as pessoas três vezes, vamos fazer visitas, ficamos com elas, almoçamos, tomamos lanche, para que elas possam sentir nossa amizade.

Infelizmente as pessoas não têm raciocínio e firmeza, elas fazem de conta, não têm aquele amor aconchegante

O senhor presenciou alguma história de um dependente químico que teria marcado o seu trabalho durante esses 38 anos?
Nós tivemos vários milagres. Tinha um senhor que bebia muito. Ele gastava tudo [o dinheiro que ganhava]. A mulher dele, um dia, me procurou e disse que iria dar uma machadada na cabeça do marido. Eu a aconselhei e orientei que voltasse para casa [Presidente Prudente-SP]. Ela montou em um caminhão de toras e foi. Depois recebi uma carta dela dizendo que estava tudo bem, mas é agora que vem o resultado. Depois de seis anos ela escreveu para mim novamente, dizendo que o marido [tratado no Cendrogasvai] a procurou, os dois se reconciliaram e ele parou de beber.

Vocês pretendem estender o atendimento para outras cidades?
Recebemos uma proposta para acolhermos Borrazópolis [distante 91 km de Maringá] e Faxinal [137 km]. Temos ainda Ortigueira [174 km], do qual a prefeita é nossa amiga e nos dá todo apoio. E, por último, o sonho de construir o centro mesmo, onde todos possam conviver em terapia de grupo e terapia ocupacional.

Com toda essa experiência de trabalho, qual conselho o senhor daria às famílias dos dependentes que não aceitam fazer o tratamento?
A primeira palavra é conscientização. Infelizmente as pessoas não têm raciocínio e firmeza, elas fazem de conta, não têm aquele amor aconchegante, e hoje a TV estraga porque às vezes a mãe está na novela e o pai no jornal e não dão a atenção devida para os filhos.

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