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Crítica de Mídia | Edição #356 - 11/04/2013

Falta de ética resiste na mídia popular

Alguns programas da TV local produzem analfabetismo nos receptores, desestimulando o espírito crítico do público

Nádia Viviane
Aluna de Jornalismo

Comentários
 

Drama, sentimentalismo, comoção e antiprofissionalismo. Esses são os principais ingredientes do sensacionalismo que permeia alguns programas populares de TV em Maringá. No dicionário “Caldas Aulete”, sensacionalismo é definido como o interesse em buscar ou explorar assuntos sobre fatos ou pessoas que possam provocar escândalo, impacto e chocar a opinião pública.

O programa “Pinga Fogo na TV”, exibido pela TV Bandeirantes em Maringá, é um exemplo claro sobre como a mídia influencia, ditando as regras e o que o público deve ou não pensar. Quem já não ouviu a famosa frase: “tudo o que o Pinga Fogo diz, vira lei”.

Ao assistir ao programa, percebe-se claramente que ética, profissionalismo e intelectualidade não são o forte do apresentador. Não existe filtro para as imagens chocantes de acidentes que não deveriam ser mostradas em respeito ao telespectador. No estúdio, Pinga Fogo se esmera na arte de repreender ao vivo os seus companheiros de trabalho. Puro exibicionismo. Mas ele não está sozinho. Quem se aventura a ligar a TV na hora do almoço e sintoniza programas populares da região dificilmente está buscando conteúdo jornalístico.

A ética é posta de lado, pois é mais benéfico e lucrativo para algumas empresas de comunicação deixar o bom senso e ganhar muito dinheiro produzindo conteúdo sensacionalista.  O público, por sua vez, pautado pelo senso comum, assiste, idolatra, adere e bate palmas para esse tipo de programação. É mais cômodo assistir a telejornais onde a informação vem ao encontro do cidadão que não questiona, afinal de contas, dá trabalho raciocinar sobre o contexto da notícia transmitida.

Quem se aventura a ligar a TV na hora do almoço e sintoniza programas populares da região dificilmente está buscando conteúdo jornalístico

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado em março deste ano, o Brasil ocupa a 85ª posição no ranking mundial do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Essa pesquisa é feita anualmente pela ONU com base em indicadores de renda, saúde e educação. A baixa posição do Brasil no IDH é fruto do desinteresse do público pelos programas de educação da mídia, causando dessa forma, o analfabetismo funcional que, propositadamente, a “indústria da comunicação” dissemina.

Sábias foram as palavras do filósofo Pierre Bourdieu na obra “Sobre a Televisão” (1930): “ A televisão tem uma espécie de monopólio de fato sobre a informação das cabeças de uma parcela muito importante da população.”

A crença no bom jornalismo sugere que programas de grande popularidade, como o “Pinga Fogo na TV”, não deveriam acabar nunca, e sim recriar totalmente o  conteúdo. Se bem orientado , o apresentador, com o poder de comunicação que lhe é nato, ajudaria muito mais resgatando seu público da alienação e lhe oferecendo conteúdo crítico em vez de refastelar-se com o  ”mundo cão”.

 

Pinga Fogo no programa exibido pela TV Bandeirantes em Maringá (Imagem: Reprodução)

 

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

Alan Araújo disse:

Preciso de referência da estudante que escreveu o artigo acima para que eu possa citar o mesmo em um artigo

Att,

Sara Cristina Mattos disse:

A reportagem foi de excelente escolha.. parabéns pela matéria… jornalistas assim com forte argumento que a cidade precisa… sou do ramo e prezo muito por pessoas que tenham essa visão na área da comunicação.

André Almenara disse:

Quero deixar minha opinião nesta matéria produzida por vocês. Acho que vocês estão um pouco enganados sobre os programas regionais. Faça uma pesquisa no comércio, nas casas e veja o tamanho da audiência que os programas locais tem. Concordo que o jornalismo é importante, mas vocês foram infelizes nesta matéria. O povo assiste o telejornal, mas quer ficar sabendo o que está acontecendo na nossa cidade e região de forma simples no falar no microfone.

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Aspirante de Jornalista e locutora. Apaixonada pelo rádio. Adora uma boa história.

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