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Educação | Edição #353 - 04/12/2012

Cotas e o famoso jeitinho brasileiro

Proposta de universidades de São Paulo pode devolver mais equilíbrio à política de cotas no ensino superior

Eliza Bondezan
Aluna de Jornalismo

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Protesto pró-cotas de estudantes da USP, realizado em setembro (Foto: Marcelo Camargo/Abr)

Recentemente três universidades estaduais de São Paulo, USP, Unesp e Unicamp, fecharam proposta para apresentar ao governador Geraldo Alckmin como alternativa ao programa de cotas no ensino superior público, instituído por lei pelo governo federal.

Mesmo com protestos de grupos de estudantes da USP, que defendem a adoção imediata do modelo federal, as três instituições sugerem a adoção de um programa de cotas que destinará até 50% das vagas a alunos de escolas públicas que, antes, passarem por curso semipresencial de dois anos. Reitores dizem que o objetivo é igualar os porcentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff para as universidades federais na Lei de Cotas, aprovada em setembro. Se for aceita, a medida pode tornar mais justa a seleção entre cotistas e não cotistas no exame vestibular daquele Estado.

A não seleção dos mais bem preparados para o ensino superior mascara o real problema da educação brasileira: o péssimo ensino nas escolas públicas nos níveis fundamental e médio

O Brasil tem hoje 2 341 instituições de ensino superior, públicas e privadas. Desse total, apenas 59 serão afetadas pela Lei de Cotas – além das federais, o projeto inclui alguns cursos técnicos de ensino médio e profissionalizantes ligados ao Ministério da Educação. Mesmo estaduais, a USP e Unicamp estão no topo do ranking das melhores universidades do Brasil, levando boa parte dos jovens de todo o País a disputarem vagas nessas instituições. Assim, muitos alunos poderão ter a tão sonhada chance de ingressar numa universidade pública no mesmo nível que outros pertencentes às escolas particulares e/ou cursinhos. O problema é que muitos são prejudicados com o “jeitinho brasileiro” pelo qual se apresenta a Lei de Cotas.

O fato de a estaduais de São Paulo terem encontrado uma alternativa à Lei de Cotas não significa que outras instituições estaduais do restante do País deixem de optar, num futuro próximo, pelo sistema federal. Isso pode tornar o ensino superior brasileiro menos competitivo.

Outro fator importante é que a maior produção de experiências, estudos e pesquisas científicas é praticada pelas universidades. Vêm delas, por exemplo, a maioria dos artigos científicos publicados no exterior, segundo dados publicados na revista científica digital Scielo. E esse número pode ser prejudicado devido ao tipo de seleção equivocado que o governo federal está propondo às universidades.

Definitivamente a Lei de Cotas não promove a igualdade na hora de competir por uma vaga na universidade e muito menos ajuda os próprios jovens, que são vistos como o futuro do Brasil. O governo parece reconhecer o risco que a lei impõe ao ensino de alto padrão no País, mas ao mesmo tempo diz que algumas instituições de nível elevado, como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), ficarão de fora das cotas. É como tapar o sol com a peneira.

A não seleção dos mais bem preparados para o ensino superior mascara o real problema da educação brasileira: o péssimo ensino nas escolas públicas nos níveis fundamental e médio. Perde-se um poderoso medidor da educação no País ao nivelar “por baixo” aquilo que deveria se manter como “excelência”. Impede a nós, brasileiros preocupados com a qualidade da formação profissional das futuras gerações, de exigir melhorias.

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