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Literatura | Edição #346 - 28/08/2012

Um dia especial na vida comum de um trabalhador

O verdadeiro relacionamento é construído por ações espontâneas; isso permite que as pessoas se tornem seres humanos melhores

Celso Dutra
Aluno de Jornalismo

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Pão com ovos

Foto: Celso Dutra

Um dia qualquer, como qualquer dia, a simples ideia de chegar ao trabalho é um fato importante no cotidiano do ser humano. O silêncio naquela manhã é interrompido com o toque do despertador e com a fala da doce Eloísa.

- Acorda benzinho, já está na hora de você ir trabalhar, diz a mulher, carinhosa.

José é uma pessoa responsável. Ele se levanta, estica a mão e aperta o botão que interrompe o barulho chato do relógio, que parece dizer: “Por mais quente que sua cama esteja, a vida real não é assim, vá trabalhar e faça o serviço com responsabilidade”.

Prepara o próprio café, pão com mortadela e ovos fritos. Eloísa está desempregada há três meses, a renda mensal da família não é suficiente para luxo, mordomia nem um cardápio matinal mais completo. Muito apressado, José olha novamente para o relógio:

- Nossa, o tempo voa, estou atrasado.

Como homem de fé que era, lembrou-se de um antigo ditado, ‘Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela’, que lhe aquietou o coração

Não pode chegar depois da hora, pois os horários na empresa onde trabalha são cumpridos rigorosamente.  Ele larga o café ainda quente na xícara e corre em direção ao ponto de ônibus mais próximo de casa. A ideia de perder o coletivo o assusta.

O trajeto é longo. Depois de escutar os palavrões do motorista, que já estava nervoso, com o trânsito congestionado, José chega ao local de trabalho e cumprimenta os amigos da empresa.

- Bom dia pessoal, hoje vamos trabalhar bastante para adiantar a entrega dos produtos, pois não quero fazer hora extra no fim de semana. Quero ficar com minha mulher e meus filhos, diz.

Pobre José, mal sabia que aquele era o último dia de trabalho na empresa. Ele e outros funcionários foram demitidos por “motivos financeiros”. Outro argumento do patrão é que alguns dos principais clientes pararam de comprar os produtos industrializados. O motivo seria a crise mundial, que desestruturou a economia das pessoas jurídicas.

É, a situação de José e Eloísa não está nada boa. Mas para que sofrer? A vida continua. Mas no caminho de volta para casa, a angústia povoou os pensamentos dele.

- Estou sem emprego e a Eloísa também. O que será da gente? Se não arrumar trabalho logo não terei nem pão com ovo no café da manhã para comer.

Como homem de fé que era, lembrou-se de um antigo ditado, “Quando Deus fecha uma porta, abre uma janela”, que lhe aquietou o coração.

No caminho de volta, no entanto, deparou-se com um terrível acidente de trânsito. Viu no meio do tumulto de gente gritando, buzinas e fumaça um jovem dentro de um carro que começara a incendiar. Sem pensar duas vezes, correu para o veículo e resgatou o rapaz segundos antes de o fogo tomar conta de tudo. Deixou o jovem em seguida para ser atendido pelos bombeiros que acabavam de chegar e retomou a pé o caminho de casa, com o pensamento de volta ao emprego que acabara de perder.

Depois de uma longa caminhada, ao chegar ao portão e já se preparando para contar a triste novidade, Eloísa veio ao encontro do marido para lhe falar sobre um envelope sem remetente, deixado embaixo da porta. Dentro do envelope havia a carteira de trabalho de José e um bilhete – uma prova de que a fé, para os que a tem, não costuma falhar:

- Não te conheço, nem você a mim. Não sabe sobre a minha vida assim como eu não sabia da sua até hoje, quando você a arriscou para salvar a de meu filho, tirando-o do carro acidentado que estava prestes a explodir. Cheguei alguns minutos depois e encontrei meu filho sendo atendido ali mesmo, no chão, por bombeiros. Ele balbuciava algo como “um anjo me salvou”. Olhei ao redor, não vi mais ninguém e por alguns segundos acreditei que aquele salvamento foi realmente obra de um anjo. Foi então que vi no chão, ao lado dele, essa carteira de trabalho, que você deve ter deixado cair quando o socorreu.  Agora já sei da sua história e do emprego que você perdeu hoje. E assim como você me ajudou sem me conhecer, quero retribuir. Sou empresário, tenho muitos negócios e me sentiria muito honrado em ter em uma de minhas empresas alguém como você.

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Feliz com minha futura profissão. Agradeço a Deus pela chance de voltar aos bancos escolares

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