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Esporte | Edição #345 - 07/08/2012

“Quando vencemos o Corinthians, todo mundo foi herói”

Adir Kist, dirigente do Cianorte Futebol Clube, relembra fatos da carreira e revela o planejamento do clube para o futuro

Joel Silva
Aluno de Jornalismo

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Adir Blazio Kist, 40 anos, é ex-goleiro e atualmente trabalha como gerente de futebol no Cianorte Futebol Clube. Como atleta, atuou por diversas equipes do País e em três clubes de Portugal. O momento mais marcante e polêmico da carreira de goleiro, ocorrido em 2005, foi o confronto entre o clube que defendia (Cianorte) e o Corinthians, pela Copa do Brasil daquele ano. Fora dos gramados, Adir atua na direção do clube há quatro anos. Nesse período, contribuiu para importantes campanhas do time, ganhou prêmios e viu a morte prematura de dois atletas com passagens pelo clube.

Como dirigente, Adir já foi sondado por vários clubes (Andye Iore / Cianorte FC)

Adir Kist concedeu entrevista há duas semanas para o Jornal Matéria Prima, na sede do Cianorte Futebol Clube. Ele conta a história no futebol, relembra fatos da carreira e revela o planejamento para a equipe nos próximos anos.

Como você chegou ao futebol?
Desde pequeno eu sempre joguei. O campo era próximo da minha casa e o amor pelo futebol começou cedo. Foi naturalmente e a partir daí sonho, correr atrás, trabalhar muito, treinar bastante e criar a performance necessária para conseguir chegar a ser um atleta profissional.

E a carreira até chegar ao Cianorte?
Me profissionalizei no Juventude, rodei por alguns times do Rio Grande do Sul e joguei no Grêmio também. Em 1997 fui para Recife, joguei no Porto de Caruaru e depois para o Náutico. Depois para a Europa, passei cinco temporadas em três clubes de Portugal. Retornei [ao Brasil], e vim para Cianorte. Foi uma situação até engraçada, pois cheguei por uma amizade e hoje permaneço aqui por opção. Aqui aconteceram coisas maravilhosas e em 2007 já me aposentei com 35 anos.

Quem foi que te trouxe ao clube?
Foi o [técnico] Caio Júnior. Primeiro, pela amizade com ele, na época de jogador. Depois foi a direção, que já me conhecia e me solicitou gerir o futebol. Foi difícil porque eu tive que parar de jogar, mas ao mesmo tempo, como eu conhecia aqui, aceitei o desafio.

Hoje, por ironia ou não, por destino, eu sou o Adir do Cianorte

Que momentos ou clubes marcaram a sua carreira?
Tiveram vários e por situações diferentes. Eu me identifico sempre com o lugar que estou. Trabalho sempre tentando dar o melhor a cada ação. Para mim o melhor lugar é sempre onde estou. Então, todos os clubes que passei, tenho carinho especial, pois sempre deixei amigos por todos os lados. Nunca tive em um clube problema nenhum, problemas de relação com presidentes ou treinadores. Claro, fui campeão no Náutico, uma torcida apaixonada. O Juventude, na minha época, era um grande time. Fui campeão português, tive uma ótima passagem pela Europa. Tive a oportunidade de jogar o Paulistão, nos melhores gramados deste país, no Maracanã. Hoje, por ironia ou não, por destino, eu sou o Adir do Cianorte. Foi um dos menores clubes da minha carreira e hoje no meu coração é um dos maiores.

A atuação como goleiro compensou financeiramente?
Sim, foi muito boa, graças a Deus. Mais do que preciso e menos que mereço.

Em 2005, você foi destaque na campanha do Cianorte na Copa do Brasil, inclusive defendendo um pênalti na primeira fase da competição e sendo reconhecido como herói. Porém, o clube acabou sendo eliminado pelo Corinthians e uma parte da torcida o culpou. Como foi encarar essa mudança por parte dos torcedores?
Para resumir: triste demais. Não pelo que as pessoas falam. A minha carreira, minha profissão, sempre foi uma posição que você tem que ser diferente. Porque qualquer atleta profissional vive o status de vilão ou de herói a cada jogo. Quando vencemos o Corinthians por 3 a 0, algo que ninguém imaginava, todo mundo foi herói e principalmente o goleiro. Quando, lá [São Paulo], perdemos, todos nós perdemos. Mas principalmente o goleiro. Então, assim, o que ficou para a história foi a nossa vitória aqui. O Cianorte, depois de 10 anos, não tem condição de fazer frente [ao Corinthians]. Aliás, o Boca [Júniors – ARG] não teve condição de fazer frente. Por ser o futebol emoção, o torcedor e mesmo nós acreditávamos que íamos, lá, fazer o mesmo que fizemos aqui. Ficaram muitas lições pessoais e profissionais desse episódio, mas nenhum constrangimento, porque não fizemos nada que não fosse tentar dar o nosso melhor, nem eu nem meus colegas. Eu era capitão desse time e tive a obrigação de tomar frente nos depoimentos e nas responsabilidades. Mas eu nunca, particularmente, me senti o melhor ou mais importante que um ou outro. E muito menos, lá, eu me senti o principal culpado. A gente ficou triste porque tínhamos a grande possibilidade de passar e, quem sabe, ir longe.

Foi fácil a passagem de jogador para dirigente de futebol?
Não é fácil, porque o corpo…Eu mesmo, depois de seis meses a um ano que eu estava aqui, recebi propostas para voltar a jogar. Então é difícil, se você não é firme no propósito, recai.

Muitos times o chamaram?
Sim. Clubes de Minas, São Paulo, clubes de vários Estados. Até de fora para eu retornar. Isso foi gratificante, mas agora estou bem resolvido, tem o tempo para tudo.

Como dirigente de futebol, qual o seu planejamento para o Cianorte nos próximos anos?
Imagino um time na Série C [do Campeonato Brasileiro] meio que rápido, mas é um caminho difícil. Estabilizar o clube nessa divisão, que depois de um ano é que é importante. A partir daí, planejar a Série B, que eu acho que é possível, e estruturar o clube para isso. Nós estamos há dois anos na Série D, que era projeto ter uma equipe de destaque na competição, pronta para, quem sabe, chegar à Série C. Mas a gente sabe que mesmo fazendo tudo certo não tem garantias de conseguir.

Trabalhar em cima de elogio é melhor do que de crítica, apesar de ter que conviver com tudo.

Você já recebeu prêmios por sua atuação como dirigente. É algo que busca?
Isso é consequência, não tem como buscar. Porque se for assim, você foge dos seus ideais. Os reconhecimentos vêm naturalmente. [Se] Aquele que busca a individualidade se sobressair sobre o trabalho, começa a se isolar, começa a dificultar o trabalho e passa a ser uma peça falha. Também não se pode viver deles [reconhecimentos], porque a partir do momento que deixar de fazer, você já não é mais. É assim que a gente passa a ideia para eles, de que se lambuzar com o sucesso precoce é um erro grave. Agora, que é feliz, gratificante, gostoso, é. Trabalhar em cima de elogio é melhor do que de crítica, apesar de ter que conviver com tudo.

As premiações e as boas campanhas lhe renderam convites para trabalho em outros times?
Graças a Deus tenho sido lembrado sempre. No Rio Grande do Sul, aqui no Estado o Paraná Clube já por duas vezes. Coritiba, São Caetano, as categorias de base do Vasco da Gama. Mas o trabalho que desenvolvo aqui, a liberdade de ação, talvez eu não tivesse em outros lugares. Talvez um dia seja inevitável, porque também tenho ambições profissionais na função. Deixei de ser um atleta veterano para ser um dirigente novo, um executivo novo do futebol. Então, tudo no seu tempo. Eu não trabalho dando prazos para que isso aconteça. Trabalho em busca de resultados e para mostrar o potencial dentro do projeto que estou. Se uma hora isso acontecer, bom para todos. O Cianorte anda sem mim, o clube é sempre maior que as pessoas.

Dois atletas com passagem pelo Cianorte morreram em diferentes situações, em 2009 e neste ano. Essas mortes chegaram a atrapalhar a atuação da equipe?
Não, não. Eu, particularmente, senti muito mais. Porque eu fui o responsável pela vinda desses atletas, pela situação desses atletas. E eram amigos e parceiros. O Dill [Rodrigo José da Silva, 25] foi uma fatalidade. Já não estava aqui fazia dois anos, mas tinha uma relação e a gente sempre tinha uma história. Todo ano eu o convidava para voltar e sempre tinha aquela possibilidade de retornar. Já o Marcos Tora [28] foi uma passagem mais rápida, um atleta que ficou 45 dias e que eu já tinha até defrontado quando era goleiro, em jogo contra mim. Uma pessoa fantástica também, que acabou perdendo a vida em uma fatalidade no trânsito. São situações que a gente nunca planeja mais que fazem parte do contexto da vida e que a gente tem dois caminhos: um de lamentação constante e o outro de saudade que se supera com momentos bons que foram vividos juntos.

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