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Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 

Pastor Célio Camargo e membros da ICM cantam durante culto (Foto: João Luiz da Silva/ICM)

Igreja de Maringá acolhe homossexuais

Templo recebe gays que procuram auxílio espiritual edá abrigo a vítimas de preconceito dentro das próprias famílias

JOEL SILVA
Aluno de Jornalismo


A comunidade gay conquistou importantes espaços na sociedade desde a segunda metade do século passado, inclusive no campo religioso. Hoje, existem algumas igrejas que não condenam nem consideram a homossexualidade um pecado, diferentemente das religiões tradicionais. A ICM (Igreja da Comunidade Metropolitana), com sede numa pequena casa do Jardim Alvorada, zona norte de Maringá, é um exemplo. Lá, a orientação sexual dos membros não é considerada obstáculo para o exercício da fé.

É preciso ir além das palavras lidas na Bíblia atual e se permitir a novas interpretações sobre o contexto hitórico no qual os textos foram escritos há mais de 3.000 anos

Os cultos da ICM são realizados três vezes por semana, com direito a músicas de adoração, pregação, ceia e ornamentação, exceto pela bandeira do arco iris no púlpito, muito parecida com a de outras igrejas cristãs. “A ICM não é uma igreja para a sexualidade, é para a espiritualidade”, afirma o pastor Célio Camargo, homossexual e membro da igreja desde 2004, afastando a ideia de que está à frente de uma “igreja gay”.

No mesmo local, a ICM acolhe homossexuais que não são aceitos pelas próprias famílias. Wellington Aparecido Silva, 23 anos, é um dos oito atuais moradores. Soropositivo para HIV, Silva foi expulso de casa quando relevou a homossexualidade. “Fiquei num albergue um mês, depois dormi na rua, passei fome. Até que me falaram daqui [referindo-se à igreja]. Eu nunca tive uma família que me ama de verdade. Eles, aqui, sempre estão do meu lado, cuidam de mim”, diz.

A ICM não é uma igreja para a sexualidade, é para a espiritualidade

Por conta da aceitação da homossexualidade, alguns pastores de outras denominações se incomodam com a presença da ICM em Maringá. “Houve até reuniões com o Conselho de Pastores. Em uma reunião alguém disse que teriam de dar um jeito de fechar nossa igreja”, lamenta o pastor Célio Camargo. Para ele, “usam trechos da Bíblia que não têm nada a ver com a homossexualidade para condenar pessoas GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros]“.

Quanto à doutrina da ICM, Elton Sadao Tada, professor de Teologia, explica que a Igreja Metropolitana segue doutrina semelhante à de igrejas evangélicas “mais abertas”. “Com a diferença que não prega ‘cura espiritual’ para os gays.” Mas, segundo eloe, tal doutrina não permite tudo. “Para entender o que ela prega, é preciso ir além das palavras lidas na Bíblia atual e se permitir a novas interpretações sobre o contexto hitórico no qual os textos foram escritos há mais de 3.000 anos.”

 

 

GLBT, público da vez nas casas noturnas

Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros conquistam espaço e tratamento diferenciado nas “baladas” de Maringá

ISABELLA CORNICELLI
Aluna de Jornalismo

Pensar em jovens é pensar em baladas, e a noite maringaense oferece diversidade de opções para quem procura um bom lugar para se divertir. Por conta disso, é grande também a diferença de público presente nas festas em cada canto da cidade. As boates voltadas para o público GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), por exemplo, surgiram em Maringá pela necessidade de algo realmente diferente, como explica a empresária Tatiane Vieira, dona da Divinyl Club, que está há oito anos na cidade. “Eu sentia a necessidade de uma casa que tivesse padrões diferentes das que já têm em Maringá, por isso resolvi abraçar esse projeto.”

O público nessas baladas é bem diversificado. O maior objetivo dessas casas é levar homossexuais e heterossexuais a deixar de lado as diferenças e se importar somente em sentir-se a vontade. Para que isso ocorra, muitos investimentos são feitos. “Prezamos pela qualidade do som, tanto na equalização quanto na escolha dos DJs. Quando a fila [para entrar no estabelecimento] está muito grande, por exemplo, trabalhamos com drinks grátis e com cardápio de drinks diferenciados, que não se encontram facilmente na cidade”, compara Tatiane.

As casas GLBT também se diferem das demais em questões estruturais. Caso dos banheiross, que são de uso comum. “Para o nosso público é indiferente ter banheiro de homem ou de mulher, e acabamos tendo controle maior do espaço, tanto na segurança, como na limpeza e manutenção”, explica a empresária. Para ela, mais importante que as alternativas oferecidas por esses estabelecimentos é a forma como a clientela é tratada, desde quando chega até a hora de ir embora. “Procuramos ser receptivos, tratar a todos com respeito e fazer com que as pessoas se sintam em casa, dentro dos limites da boate”, ressalta.

Para Leonardo Caetano, 20, frequentador de baladas gays, o espaço GLBT é lugar onde não falta diversão. “É o local certo para curtir o ambiente e aproveitar as boas músicas, conhecer novas pessoas e fazer amizades. Sempre que sobra um tempinho no fim de semana eu reúno a galera e vamos nos divertir.”

O professor Gilson Aguiar, mestre em história e sociedade, diz que o convívio em lugares com pessoas do mesmo grupo de interesses pe saudável. “Existem rituais de lazer em que acabamos buscando lugares íntimos, e não há problema nenhum nisso, contanto que, quando estivermos em espaços coletivos e comuns, o respeito seja mútuo.”

 

 

 

Cidade | Edição #339 - 01/05/2012
Comentários
 
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2 comentários | Deixe seu comentário

boa tarde a todos vcs e tem meu apoio ,,,,,,, tenho45 anos ,,morro em joinville santa catarina. bom pra mim o importante é ajudar e naõ ser mais um há condenar ,,,pra isó nos já temos a sociedade que n perdoa ,,,,que é autoritaria ,,e com mãos de ferro condena sem se importar com os sentimentos das pessoas ,,,as igrejas falam tanto de amor ,,mais na hora de demostrar viram as costa,,,,sei muito bem do que falo pois tmb já me fizeram varias vezes isto comigo,,,

pastor Celio disse:

Deus seja louvado, pois em meio a tanta dor causada pela homofobia, alguns encontram na igreja sua própria casa, e permitem que Deus os acolha e mostre seu amor, parabéns Joel Ótimo trabalho linda reportagem.

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