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Cultura | Edição #338 - 17/04/2012

“Deveria ser normal você ser combativo e querer mudar as coisas”

Idealizador da "Folha de Maringá" e do site "Maringay", Luiz Modesto concilia seu trabalho com o ativismo social

Taís Nakakura
Aluna de Jornalismo

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Luiz Modesto Costa, 31, é ativista gay, blogueiro e estudante de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Participa também do Observatório das Metrópoles, é membro do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e do Fórum Maringaese pelo Direito à Cidade. Ele acumula ainda os cargos de colunista e editor do “Maringay”

Chamada para o Beijaço, organizado por Modesto, à esq. (Luiz Modesto/Arquivo pessoal)

- site de conteúdo LGBT de referência – e da “Folha de Maringá”. Pausa para um café. Ou melhor, dois. Em uma simpática padaria da cidade, Modesto comentou sobre o envolvimento dele com questões sociais e conversou sobre a “Folha de Maringá”, a “arena das ideias com uma bombinha em cada título”, como o editor classificou o jornal, referindo-se ao conteúdo crítico do jornal. Entre tantas atividades, um momento de descanso para o atarefado ativista gay? Não. Entrevista para o Jornal Matéria Prima. Confira a seguir alguns trechos dessa entrevista:

A respeito do seu envolvimento em causas sociais: qual o motivo do interesse nessa área?
Tudo é um conjunto da vida que faz a gente se envolver. Na verdade, se você tem o mínimo de respeito pelo outro, você se envolve. Acho que é inato da gente, se indignar, olhar alguém que sofre e querer ajudar. Isso é natural. Acho que não tem nada de especial em você se envolver com as coisas. Deveria ser normal ser combativo e querer mudar as coisas. Afinal, a gente nasceu para isso, para mudar, para tentar algo melhor. Não só para nós mesmos. Se envolver é quase um dever do ser humano, afinal de contas, é gente.

Você estava na organização do Beijaço – manifesto pacífico em prol de algumas causas sociais…
Isso, eu fui lá beijar também.

De onde partiu essa ideia?
Um dia, uns amigos e eu começamos a lembrar das vezes que essa administração [municipal] tentou barrar alguns direitos nossos [dos homossexuais]. Conversando com a dona do D-vinil [boate gay fechada por falta de alvará], ela disse que a prefeitura estava dificultando a liberação para o funcionamento da boate e eu disse: quer saber? vamos juntar tudo num pacote só e dar um beijo lá na frente [do D-vinil]. Eu chamei o Robson [companheiro de Modesto], demos um beijo, tiramos uma foto e fiz o chamado.

Em entrevista à “Gazeta do Povo”, você disse que quase 200 pessoas participaram do Beijaço. Um número bem expressivo.
A gente juntou mais de 200 pessoas lá na frente da prefeitura e não foi só pra abrir boate, não. O pessoal fala que foi, mas eu não faria isso. Para você ver, tem gente que foi lá beijar porque é contra o maltrato aos animais, contra o incinerador de lixo. Teve gente que foi porque gosta de beijar, gosta de participar de ‘muvuca’. Outros foram porque são contra a retirada das ‘espinhas de peixe’ da Avenida Brasil… No fundo, o Beijaço foi uma das flores dessa primavera dos movimentos sociais, porque está tudo em ebulição. E o pessoal que quer a manutenção dessa sociedade excludente tenta desvincular essa maravilha que é a primavera dos movimentos sociais, mas não tem como dissociar.

Você também é editor da “Folha de Maringá”, que é on-line e recentemente ganhou uma versão impressa. Como surgiu esse jornal?
A Folha nasce do “Maringay”. A equipe que começa a pensar na Folha é a mesma equipe de colunistas do site, porque a gente pensou em escrever sobre assuntos além do LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais]. Quando a gente se reunia, discutia sobre várias coisas e a gente precisava de um espaço para expressar essas ideias. E aí foi quando nasceu a Folha. Com a Folha, a adesão foi mais rápida. Como é um projeto mais amplo, a gente conseguiu trazer mais pessoas, mais amigos que às vezes não tinham identificação com o tema do “Maringay”. Há um número amplo de colaboradores e a gente abre espaço. É quase um jornal de cunho anarquista: tem essa ideia de a pessoa ser livre para se expressar.

No fundo, o Beijaço foi uma das flores dessa primavera dos movimentos sociais, porque está tudo em ebulição

A Folha de Maringá impressa foi distribuída livremente pelo comércio da cidade. Esse impresso chegou a ser comercializado?
O jornal tem um valor de R$0,25, que é para o pessoal que deu uma força para a gente, pois com o dinheiro dos amigos e patrocinadores conseguimos imprimir o jornal, mas não há pessoas para distribuir. Esse valor simbólico é uma contrapartida, como podemos chamar, para os comerciantes – padarias, bancas, bares, cafés – que resolverem apoiar a Folha: a gente deixa o jornal lá e diz ‘se você quiser cobrar R$0,25 de alguém, de boa. Mas já conseguimos imprimir com o dinheiro dos patrocinadores’. A ideia não é ficar rico fazendo jornal. Eu tenho minha profissão, o Marcelo [de Souza, diretor da "Folha de Maringá"] tem a dele. A ideia é fazer circular a informação mesmo.

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