Tecnologia | Edição #332 - 06/09/2011

Street View, ferramenta de invasão à privacidade

Recurso de alta tecnologia da empresa americana Google, pode ser grande perigo quando não utilizado corretamente

Aguinaldo Lorca Ventura
Aluno de Jornalismo

Street View (Imagem/ Márcio Smolen) [1]

Flagra de um dos carros da empresa Google mapeando a cidade (Imagem/ Márcio Smolen)

O Google foi fundado em 1996 pelos então estudantes de doutorado da Universidade de Stanford, Lawrence Edward Page e Sergey Mihalovich Brim, mais conhecidos como Larry Page e Sergey Brim. Nesses estudos, os doutorandos tinham como principal objetivo desenvolver um site de busca com publicidade discreta, e que facilitasse e avançasse as pesquisas de web.

Onze anos depois, o Google já consolidado no mercado como um dos maiores serviços de pesquisa da internet, lança mais um de muitos de seus recursos rentáveis e de alta tecnologia, o Street View. Essa ferramenta permite mapear as cidades por meio de imagens em 360 graus, no nível da rua, dando a opção de referenciar os principais pontos turísticos e/ou restaurantes, shoppings e áreas de lazer. Em 2009, dois anos após ter lançado o Street View em cinco cidades americanas, a empresa Google começa o mapeamento em algumas cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Esse mapeamento das cidades torna fácil a visualização completa de qualquer região. Isso ocorre por meio de outras tecnologias, como o Global Positining System, o GPS, como é mais conhecido, que pode ser usado em veículos ou no telefone celular.

O GPS partilha das informações coletadas pelo Google Brasil, ou seja, não é necessário que o cidadão saia de casa para pedir informações a estranhos, ou procurar em gigantescos mapas a direção que deve seguir. A ferramenta exige apenas que se digite o endereço e a localidade e, <i>voilá</i>, fará tudo pelo usuário, mostrando com imagens dinâmicas o perímetro e os detalhes de vários lugares em diferentes ângulos.

Em Maringá, na primeira semana do mês de agosto, um carro do Google Street View foi visto mapeando a cidade. O que para muitos pode ser ponto positivo, pois facilita o deslocamento de quem não está acostumado ao trânsito ou a algumas regiões da cidade, também pode ser negativo, porque compromete a privacidade de outros cidadãos mais reservados.

A prova de que a ferramenta Street View merece ser reformulada são os constantes flagrantes de cenas chocantes, como assassinatos ou, até mesmo, sexo explícito. Essas imagens, captadas pelas câmeras da empresa em todo o mundo, podem ser acessadas por qualquer público, inclusive crianças e adolescentes.

É importante lembrar também que a empresa já foi notificada e até mesmo processada diversas vezes. Isso, porque, ao delimitar o espaço dos cidadãos, retira a privacidade de quem está dentro do raio de imagem de 360 graus. A funcionalidade desse projeto, de um lado facilitando a localização e o deslocamento, vem sendo prejudicado por pessoas de má índole. Já há relatos de assaltos em áreas previamente identificadas pelo Street View.

Uma solução a ser verificada pela empresa Google Brasil seria a retirada das imagens captadas também pelo satélite, do perímetro e de localidades não centrais das cidades. Isso foi feito após a empresa ser processada por uma mulher do Japão, que teve a casa filmada de vários ângulos. Ela não quis ser identificada, pois se sentiu prejudicada com a publicação. Se conseguir deixar de invadir a privacidade alheia, o Google Street View conseguirá cumprir o papel de informar e facilitar a mobilidade da população nas cidades.


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