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Crítica de Mídia | Edição #332 - 06/09/2011

Repetição excessiva prejudica a leitura

Regra considerada básica no jornalismo, a informação complementar do “olho” e do “lead” não deve ser idêntica à do título

Ariádiny Rinaldi
Aluna de Jornalismo

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Óculos (Crédito: Morguefile.com)

Crédito: Morguefile.com

Presume-se que o leitor de jornal é alguém que tem pouco tempo. Logo a harmonia entre três elementos dos textos jornalísticos é imprescindível: título, olho e lead. O primeiro deve conter a principal informação do fato narrado. O segundo cumpre a função de apresentar o teor da reportagem ao leitor. E o terceiro oferece uma prévia, respondendo questões fundamentais sobre o assunto que vai ser abordado.

Os três elementos falam a mesma língua, complementam-se um ao outro. Páginas bem editadas, diz-se nas redações, e bem resumiram Dad Squarisi e Arlete Salvador em “A Arte de Escrever Bem” (Contexto, 2004), são aquelas em que basta ler os “penduricalhos” para saber o conteúdo inteiro do texto jornalístico. O título chamativo, o olho simples e o lead bem elaborado, não repetem informações, acrescentam.

A repetição de palavras tem função coesiva quando ajuda a dar ênfase e unidade. Mas quando o emprego do recurso é usado em demasia, chega por vezes, a “sujar” a matéria, pois demonstra vocabulário empobrecido e torna a leitura cansativa. O “Manual de Redação e Estilo” do jornal O Estado de S. Paulo leva em conta o equilíbrio entre coesão textual e estilo. “Não transforme em preocupação obsessiva o receio de repetir palavras na mesma frase ou muito próximas entre si. Atente, no entanto, para uma série de verbos ou partículas cujo emprego abusivo chega, por vezes, a comprometer a matéria”.

No livro “A Arte de Escrever Bem”, Dad e Arlete comparam o texto à comida e dizem que, assim como as pessoas devem variar as refeições para não sentir enjôo, o jornalista precisa diversificar os substantivos, verbos, superlativos, pronomes… Para fugir da monotonia. “Existem repetições e repetições. Algumas se restringem à palavra. Outras, à estrutura. Ambas –se não forem propositais- causam um senhor estrago ao texto. Tornam-no monótono. Como sonífero, dão um sono.”

É justamente esse o efeito colateral que se tem quando se lê (talvez propositadamente, por causa do tema) a reportagem: “O incômodo ronco é a queixa mais comum”, publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, do dia 14 de agosto de 2011. No olho e no lead do texto há a repetição da frase “os brasileiros estão dormindo menos e mal”. E ainda a repetição da expressão, “ vida agitada”.

O fluir da leitura poderia ser diferente se informações novas tivessem sido acrescentadas ao lead ou se o dicionário tivesse sido consultado. Uma possibilidade seria trocar o “dormir menos e mal” por “sem conforto”, e “vida agitada”, por “correria do dia a dia”.

“O que é escrito sem esforço é lido sem prazer”, já dizia o escritor inglês Samuel Johnson. Um texto não é a mera soma de frases, e as palavras são a ferramenta do jornalista. Dominar com desenvoltura o idioma é o primeiro quesito de quem quer escrever para ser entendido.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Lara Carolina disse:

Se houver repetição de palavras no título e outra no texto é aceitável?

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