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Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 

Impresso se rende ao jornalismo on-line

Diário.com e Gazeta Maringá, principais eletrônicos da cidade, já se adaptaram ao novo formato de produção de notícias

HENRIQUE ALVES
Aluno de Jornalismo


Screenshot Gazeta Maringá

On-line Gazeta Maringá, lançado em agosto do ano passado (Imagem/Reprodução)

O fluxo de informação diária mudou a forma de os veículos impressos do Brasil e do mundo produzirem informação. A internet trouxe a inovação de reunir em um só lugar textos, fotos e vídeos, bem como dos comentários de quem acessa o conteúdo, além de o leitor não precisar mais sair de casa para estar bem informado.

O mesmo acontece em Maringá. O jornal O Diário do Norte do Paraná que circula desde 1974, também investiu na versão on-line, que já está no ar há mais de 10 anos. A Gazeta Maringá, do grupo GRPCom, acabou fazendo o inverso e em agosto do ano passado foi lançada primeiro na internet, seguindo a tendência mundial do jornalismo. O impresso ainda é projeto. Thiago Ramari, editor da Gazeta Maringá, diz que por enquanto o jornal não tem planos de ganhar uma versão impressa. “A GRPCom optou por ter um veículo on-line primeiro aqui no interior do Paraná. A Gazeta [o grupo] considera que a plataforma on-line aqui em Maringá é muito importante, já fazendo parte da vida de muitos leitores e a aceitação foi excelente.”

Com o avanço da tecnologia, também surgiu o fenômeno das redes sociais no Brasil. A produção e divulgação de notícias dos jornais acabou sendo influenciada por esse tipo de serviço. Ramari conta que as redes sociais estreitaram as relações entre o jornalista e o leitor. “Todos os veículos do grupo GRPCom usam as redes sociais. É uma forma de levar a notícia até o leitor, e dele receber as notícias assim que são publicadas, porque ele não fica on-line o tempo todo na página do jornal.”

Clóvis Augusto Melo, editor de multimídia do Diário.com, também diz acreditar no poder de divulgação das redes sociais. “Somos um dos veículos mais presentes nas redes sociais no País. No Estado, somando todas as nossas atuações nessa área, somos o segundo maior portal noticioso em número de seguidores nas redes, atrás apenas da RPC.”

Ele também explica como o jornal atrai mais leitores em meio a tanta produção de conteúdo na internet. “Nosso foco é produção hiperlocal, na qual somos especializados. Por isso, somos bem ranqueados nos mecanismos de busca, o que nos auxilia na captação de novos leitores. Além disso, temos quase 40 anos de produção do jornal impresso, o que torna nossa marca muito forte e reconhecida.”

Aline Mariah Araújo, 22, universitária, é adepta das versões on-line dos jornais. Ela diz gostar desse tipo de formato, por ser mais eficiente no dia a dia, além da comodidade. “Eu sempre leio as notícias em qualquer lugar, pelo celular ou computador. Já o impresso é difícil de carregar para ler depois e não é atualizado durante o dia. Também pesa no bolso no final do mês, se eu comprar todos os dias. Ainda mais para quem já gasta com os estudos”, afirma.

Quando o assunto é o jornal impresso estar perdendo espaço para internet, os dois editores dizem que é apenas uma questão de adequação. Para Clóvis Augusto Melo, cada um tem suas características, objetivos e público. “O que vai acontecer é uma nova adaptação do impresso, já que não é mais possível que ele publique notícias factuais que já foram tratadas à exaustão pelo rádio, TV e web.”

Thiago Ramari também diz acreditar nessa nova adaptação. “Estamos passando por mudanças. Acredito que o impresso não vai acabar, mas que vai se redefinir para continuar no mercado. O público que se interessa por esse jornalismo mais analítico vai continuar lendo o jornal impresso.”

Os editores dos dois principais jornais eletrônicos de Maringá também contam quais são os planos para o futuro. “Cada vez mais queremos ampliar nosso público, respeitando os princípios éticos e também fazer parte da vida dos maringaenses e das pessoas que moram na região”, diz Ramari, editor da Gazeta Maringá. “A meta é nos transformamos no principal site noticioso do Estado. Já o impresso passa por uma nova fase com a chegada da rotativa recentemente adquirida – um investimento de alguns milhões de dólares”, diz Clóvis Augusto, editor de multimídia do Diário.

Revistas em Maringá (Imagem/Guilherme Artoff)

Revistas continuam com espaço garantido, apesar da internet (Imagem/Guilherme Artoff)

Revistas tendem a seguir os avanços tecnológicos

As revistas maringaenses ZAZ e Tradição procuram unir a credibilidade do impresso com a agilidade da internet

GUILHERME ARTOFF
Aluno de Jornalismo

Maringá tem apenas 64 anos e a imprensa nasceu já nos dez primeiros anos de existência. A primeira revista da cidade nasceu em 1957, foi a revista Maringá Ilustrada. Era para ser apenas um periódico comemorativo de dez anos do município. Idealizada por Aristeu Brandespim e Antonio Augusto Assis, a revista serviu de laboratório para a Norte do Paraná, que depois veio a ser chamada de Novo Paraná.

Era uma cidade que tinha potencial jornalístico, segundo Antonio Augusto Assis, 78, idealizador e colaborador da NP. Já existiam jornais como O Jornal de Maringá e a Folha do Norte. Mesmo com potencial, o apoio financeiro era mínimo. A revista NP não tinha nem escritório próprio. “Nos reuníamos no escritório do Aristeu, lá no centro, mas a redação era na casa de cada colaborador”, conta Assis. Dispunham apenas de um “Jeep” para rodar todo o interior do Paraná, buscando notícias para colocar na revista, que deveria ser mensal, mas com a demora da impressão saía, às vezes, de dois em dois meses.

Devido às dificuldades da época, a Norte do Paraná, que se tornou Novo Paraná, perdeu sua única concorrente, a Revista Estampa, que era uma subsidiária do Jornal de Maringá, de Verdelírio Barbosa. Segundo o historiador João Laércio Lopes Leal, gerente do Patrimônio Histórico da Prefeitura de Maringá, financiar os dois veículos era muito custoso, já que a gráfica ficava em São Paulo. Além disso, o historiador explica que a NP era muito mais organizada do que a Estampa, o que auxiliou no sucesso perante à concorrente.

“Aristeu não queria apenas conquistar Maringá. Por isso a revista trocou de nome para conquistar o Paraná”, lembra Assis. A revista ganhou repercussão estadual. Tinha escritórios em Londrina ,com Wilson Silva, em Curitiba, com o Massa (Julio Geraldo Massa) e o Milton Cavalcanti, e São Paulo, além de Maringá.  O sucesso e monopólio da revista pode ser atribuído à forma com que era feita, além de boas fotografias de Jasson Figueredo e a boa impressão. “A revista era feita a partir do nosso sonho de escrever. Portanto escrevíamos para os pioneiros de Maringá, que tinham o sonho de fazer uma cidade boa para se viver.”

A revista, que durou quase 20 anos, foi para o túmulo junto com Aristeu Brandespim. A mente administrativa era ele. Assis e sua equipe pensaram em continuar a publicação, mas todos já tinham se dispersado e resolveram deixá-la junto com Aristeu.

Cidade | Edição #332 - 06/09/2011
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