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Cidade | Edição #331 - 30/08/2011

1974, surge O Diário do Norte do Paraná

Considerado o maior jornal da região noroeste do Estado, é fruto da audácia e trabalho do paulista Joaquim Dutra

Leonardo Diniz
Aluno de Jornalismo

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Maio de 1974. A jovem Maringá completava 27 anos de emancipação política e passava por um importante período de mudanças. Os 125 mil habitantes ainda tinham vivas na memória as lembranças da terra vermelha, da poeira intensa e da fumaça dos incêndios que destruíam as matas. Homens e mulheres – maioria de origem paulista- sem muitas perspectivas, ouviam falar da cidade que crescia, e chegavam aos montes para tentar a sorte. Alguns queriam apenas emprego, outros sonhavam montar o próprio negócio ou enriquecer produzindo café.

O então prefeito Sílvio Magalhães Barros, entre outras obras, implantava a rede de saneamento básico, a modernização do serviço público, a construção do estádio Willie Davids e da Perimetral (onde foram derrubadas milhares de árvores do chamado Bosque Dois). No Paraná, um cafeicultor do norte do Estado, Jayme Canet Júnior, preparava-se para assumir o cargo de governador. O mundo tentava absorver a crise de abastecimento de petróleo, enquanto no Brasil, tomava posse o quarto e penúltimo presidente da Ditadura Militar, general Ernesto Geisel, que substituía Emílio Garrastazu Médici.

No livro “O Diário do Norte do Paraná, a saga vitoriosa de um jornal a serviço da cidadania”, os jornalistas Rogério Recco e Antonio Roberto de Paula contam que nesse período Maringá contava com dois matutinos: O Jornal e a Folha do Norte do Paraná. Um ano antes, em 1973, o paulista Joaquim Dutra, desligou-se da Folha do Norte e juntamente com o também paulista Samuel Silveira e outros sócios, investiram em um matutino próprio. Eles estavam certos de que havia espaço para um novo diário em Maringá.

Em 2001, o então estudante de jornalismo Antonio Roberto de Paula, para fazer a monografia de conclusão de curso, procurou Joaquim Dutra a fim de colher informações sobre a iniciativa de montar o jornal. Hoje, devido a problemas de saúde, Dutra não tem condições de conceder entrevista. Ele contou a De Paula que em 1973, pensou em modernizar a Folha do Norte, mas, por um capricho do destino, fundou um novo periódico.

De Paula conta que Dutra resolveu comprar uma rotativa offset sem consultar dom Jaime, o dono da Folha do Norte. A offset seria a primeira do norte do Paraná. Nem a Folha de Londrina possuía uma. No entanto, o bispo proibiu que a rotativa fosse colocada na Folha do Norte. Segundo Dutra, foram falar para o bispo que ele queria ser o dono do jornal, algo que nem passava por sua cabeça.

A máquina chegou e ficou na caixa. Com uma offset de US$ 100 mil na mão, sem poder utilizá-la e sem poder cancelar o contrato com a empresa que lhe vendeu a máquina, Dutra apelou para os sócios e amigos da Rádio Cultura e propôs montar um novo jornal na cidade. Samuel Silveira e Carlos Pivezam Filho toparam a empreitada.

No dia 29 de junho de 1974, autoridades municipais e estaduais percorriam as instalações do jornal ouvindo, atentos, as explicações de Joaquim Dutra. Todos ficaram impressionados com a organização e as configurações dos setores. Como já era início da noite, os convidados foram recebidos no melhor restaurante da cidade. Após uma nova rodada de pronunciamento, emocionado, Dutra dirige-se ao microfone com um exemplar do jornal nas mãos. Em meio ao silêncio que se fez, disse que começava ali a caminhada do Diário do Norte do Paraná.

Gumercindo Carniel, 81, o primeiro funcionário do Diário, começou a trabalhar bem antes da inauguração e foi responsável pelas impressoras até 2001, quando aposentou-se. “ Comecei em novembro de 1973, convidado pelo Joaquim Dutra. Trabalhamos juntos na Folha do Norte do Paraná. Não conhecia a máquina offset que O Diário havia importado, então fui pra Florianópolis para aprender como funcionava. No começo, não tínhamos hora para terminar, a redação fechava tarde. Também acontecia de dar problema na máquina. Muitas vezes fui embora amanhecendo o dia. Apesar do sofrimento, tenho muito carinho pelo Diário, pelo Frank [Franklin Vieira da Silva, presidente do Diário] e por todos com quem trabalhei. Ver o jornal hoje, do jeito que está, é muito gratificante”, recorda.¬

Sérgio Carniel, 52, seguiu os passos do pai, Gumercindo Carniel, e em 15 de junho 1974, com 15 anos, saiu da Folha do Norte e foi para O Diário. “Comecei na redação, eu era ‘rádio-escuta’. Gravava num gravador de rolo as notícias das rádios Bandeirantes e Globo e depois entregava as laudas para o Wilson Serra [atual diretor de jornalismo do grupo GRPCom] fazer a triagem”, relembra.

Atualmente responsável pela frota de veículos do jornal, Sergio Carniel, tem como maior lembrança o dia que chegou a primeira máquina offset. “A cola cobria toda a máquina para evitar corrosão. Eu ajudei meu pai a limpar e tirar a cola. Isso foi meses antes de o jornal começar a circular”, diz.

Convidado pelo então editor chefe, Rubens Ávila, Manoel Cabral, 55, deixou a Folha do Norte, em 1975, onde era colunista, para ser repórter do Diário. Cabral ficou no jornal até 2005, e conta, orgulhoso, sua trajetória. “Entrei como repórter, depois fui chefe de reportagem, em seguida diretor de redação e, por fim, editor chefe.” Ele recorda o frágil período financeiro vivido pelo jornal. “Olhava para o lado e só tinha eu na redação. O Frank [Silva] ia ao banco, fazia empréstimo e nos pagava. Era cada dia uma batalha.”

Como maior lembrança, Cabral cita o momento que chegou a nova offset, em 1998. O jornal passava a ser impresso em quatro cores. Porém, o maior orgulho é a homenagem recebida do presidente do Diário, Franklin Vieira da Silva. “Ele fez uma placa e colocou meu nome. Hoje, a sala da redação do jornal se chama Manoel Cabral”, conta, emocionado.

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